O autor da ação que resultou na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que o senador e pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, segue a mesma estratégia de radicalização do pai ao repetir ataques às urnas eletrônicas. A declaração foi feita após uma reunião de Flávio com diplomatas em Brasília, na qual ele questionou a segurança do sistema eleitoral brasileiro.
Reunião com diplomatas repete discurso de 2022
No encontro, realizado na última quarta-feira, Flávio Bolsonaro teria repetido argumentos semelhantes aos usados por Jair Bolsonaro em reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, em julho de 2022. Na ocasião, o então presidente criticou as urnas eletrônicas sem apresentar provas, o que foi usado como base para a ação que o tornou inelegível por oito anos, decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho de 2023.
Para o autor da ação, que preferiu não se identificar, a postura de Flávio demonstra que a família Bolsonaro não aprendeu com as consequências jurídicas. “Ele está seguindo a mesma cartilha de radicalização que levou o pai à inelegibilidade. É uma estratégia deliberada de descredibilizar o processo eleitoral”, afirmou.
Impacto político e jurídico
A reunião de Flávio com diplomatas ocorre em um momento em que o PL busca consolidar sua candidatura para as eleições de 2026. Especialistas avaliam que a repetição dos ataques pode ter efeitos negativos, tanto na imagem do partido quanto em possíveis novas ações judiciais. O TSE já sinalizou que monitora discursos que possam configurar abuso de poder político ou desinformação.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega que esteja replicando a estratégia do pai. Em nota, sua assessoria disse que o senador apenas exerceu o direito de questionar o sistema eleitoral, algo que considera legítimo em uma democracia.
Contexto da inelegibilidade de Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE em ação movida pelo PDT, que apontou abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão, por 5 votos a 2, tornou o ex-presidente inelegível até 2030. Desde então, aliados de Bolsonaro têm intensificado críticas ao sistema eleitoral, o que levanta preocupações sobre a segurança das eleições futuras.



