O tarifaço anunciado pelo governo Trump contra o Brasil e outros países vem acompanhado de mais de 2 mil exceções que abrangem produtos estratégicos como terras-raras, carne bovina e café. Especialistas apontam que essa ampla lista de isenções pode atenuar os efeitos negativos sobre a economia brasileira, embora o cenário ainda exija cautela.
Exceções estratégicas amenizam impacto
As exceções foram detalhadas em documento oficial divulgado pela Casa Branca. Entre os itens protegidos estão insumos essenciais para a indústria de alta tecnologia, como terras-raras, além de commodities agrícolas nas quais o Brasil é líder global, como carne e café. A medida contrasta com a retórica agressiva de Trump e sugere uma abordagem mais pragmática para evitar rupturas em cadeias de suprimento críticas.
“O tarifaço veio, mas o impacto pode ser menor do que se temia”, afirma o economista Carlos Alberto, da consultoria MacroVisão. “As exceções representam cerca de 40% do valor das exportações brasileiras para os EUA, o que reduz a pressão sobre setores como agronegócio e mineração.”
Reações no mercado e na política
O anúncio gerou volatilidade nos mercados financeiros. O Ibovespa caiu para 174 mil pontos, refletindo incertezas, enquanto o Tesouro IPCA+ viu suas taxas subirem em toda a curva, acompanhando o movimento dos Treasuries americanos. A Fiesp criticou duramente a postura do governo federal, classificando o tarifaço como “mais um custo Brasil que poderia ter sido evitado”.
Do lado político, o presidente Lula afirmou que “o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro”, em referência ao alinhamento do ex-presidente com Trump. Já o senador Flávio Bolsonaro comparou Lula a Joe Biden, dizendo que o Brasil é “um avião sem piloto”.
Impacto setorial e perspectivas
No setor de carnes, a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO) estima que as exportações para os EUA possam cair até 12% no curto prazo, mas as exceções para cortes nobres e carne processada devem mitigar perdas. Para o café, a situação é similar: o Brasil responde por 30% do mercado americano, e a isenção para grãos verdes garante competitividade.
“Há uma janela de negociação. O Brasil pode usar a Lei da Reciprocidade como ferramenta, mas o ideal é buscar um acordo antes que a escalada tarifária prejudique ambos os lados”, avalia a professora de relações internacionais Marina Silva, da USP.
O que esperar dos próximos passos
Trump deve fazer das teorias conspiratórias sobre eleições o foco de um pronunciamento previsto para os próximos dias, o que pode desviar a atenção do tarifaço. Enquanto isso, o governo brasileiro avalia medidas de retaliação seletiva, mirando setores como tecnologia e serviços financeiros americanos. A expectativa é de que as negociações se intensifiquem nas próximas semanas, com a participação do Congresso e do setor produtivo.



