O governo brasileiro ampliou a lista de produtos isentos da nova tarifa de 25% sobre importações, o que pode reduzir o impacto econômico do chamado "tarifaço". A medida, que entrou em vigor recentemente, gerou críticas de setores produtivos, como a Fiesp, que classificou a ação como prejudicial ao custo Brasil.
Lista de isenções e justificativas
A lista de produtos isentos foi expandida para incluir insumos industriais e bens de capital, com o objetivo de mitigar efeitos sobre a cadeia produtiva. Segundo o governo, a justificativa é manter a competitividade de setores estratégicos, como o agronegócio e a indústria de transformação.
"O tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado", criticou a Fiesp em nota oficial. A entidade alerta que a medida pode elevar preços ao consumidor e reduzir a atividade econômica.
Lei de Reciprocidade e reações internacionais
O governo brasileiro anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade, permitindo retaliações comerciais a países que imponham barreiras aos produtos nacionais. A medida é vista como uma resposta a tarifas aplicadas por parceiros comerciais, como os Estados Unidos.
"Queremos que o Pix concorra em igualdade com empresas americanas", afirmou Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, em referência às tarifas sobre serviços digitais.
Impacto nos mercados
O Ibovespa opera sem direção única nesta quinta-feira, com investidores avaliando os efeitos do tarifaço. As ações da Light, Totvs, Brava, Axia, B3 e Oncoclínicas estão entre os destaques. A Oncoclínicas informou ter recebido uma oferta da IG4, mas não há transação acordada.
Nos EUA, os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram, indicando resiliência do mercado de trabalho. Já as vendas no varejo do Brasil avançaram apenas 0,1% em maio, frustrando as projeções do mercado.
Reações políticas
O presidente Lula comentou: "É triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro", em referência a investigações sobre o ex-presidente. O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, comparou Lula a Biden e disse que o Brasil é um "avião sem piloto" diante das tarifas.
Na Câmara, a Comissão de Relações Exteriores enviou uma notícia crime à PGR contra o ministro Mauro Vieira. O ministro Dino ordenou que presidentes de partidos esclareçam se mantêm poder sobre emendas parlamentares.
Perspectivas econômicas
Especialistas avaliam que o tarifaço pode ter impacto menor do que o inicialmente previsto, graças à ampliação das isenções. No entanto, o custo Brasil continua elevado, com juros altos e burocracia. A Fiesp defende que o governo busque soluções negociadas em vez de medidas unilaterais.



