Tarifaço dos EUA tem 2 mil exceções e impacto pode ser menor
Tarifaço dos EUA tem 2 mil exceções e impacto pode ser menor

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que entrou em vigor recentemente, pode ter um impacto menor do que o inicialmente temido. Isso porque a medida inclui mais de 2 mil exceções, abrangendo produtos como terras-raras, carne bovina, café e outros itens estratégicos. A informação foi divulgada pelo governo norte-americano e detalhada por analistas de comércio exterior.

Exceções abrangem setores estratégicos

Entre as exceções listadas estão matérias-primas essenciais para a indústria de tecnologia, como terras-raras, além de alimentos como carne e café. Esses produtos representam uma parcela significativa das exportações brasileiras para os EUA. Segundo o Ministério da Economia, as exceções podem beneficiar diretamente o agronegócio e o setor mineral do Brasil.

“O impacto real será menor do que o previsto, pois muitos itens ficaram de fora da tarifação”, afirmou um porta-voz da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). A entidade estima que cerca de 30% das exportações brasileiras para os EUA estejam protegidas pelas exceções.

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Lei da Reciprocidade como base legal

O tarifaço foi embasado na chamada Lei da Reciprocidade, que permite aos EUA impor tarifas equivalentes às barreiras comerciais aplicadas por outros países. A lei foi utilizada pela primeira vez neste governo, gerando debates sobre sua aplicação e possíveis retaliações.

O Brasil estuda medidas de resposta, mas a existência de exceções pode reduzir a tensão comercial. O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha as negociações e busca um diálogo para evitar escalada.

Impacto nos mercados e na economia

O anúncio do tarifaço provocou volatilidade nos mercados financeiros. O Ibovespa caiu aos 174 mil pontos, influenciado pela repercussão da medida. Os juros do Tesouro IPCA+ subiram em toda a curva, seguindo o movimento dos Treasuries americanos.

Na economia real, as vendas no varejo do Brasil avançaram apenas 0,1% em maio, frustrando as projeções do mercado. Analistas apontam que a incerteza comercial pode ter contribuído para a desaceleração.

Reações políticas e críticas

A Fiesp criticou a postura do governo federal, afirmando que o tarifaço “se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado”. A entidade defendeu uma negociação mais proativa para evitar prejuízos ao setor produtivo.

O presidente Lula declarou que “é triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro”, em referência à gestão anterior. Já o senador Flávio Bolsonaro comparou Lula ao presidente Joe Biden e disse que o Brasil é um “avião sem piloto”.

Perspectivas e próximos passos

Especialistas apontam que o Brasil deve buscar uma estratégia de retaliação seletiva, focando em setores onde os EUA são mais vulneráveis. A Lei da Reciprocidade também pode ser usada como argumento em negociações bilaterais.

Enquanto isso, o mercado acompanha os desdobramentos e ajusta as expectativas. A expectativa é que o impacto final seja menor do que o inicialmente projetado, graças às exceções e à possibilidade de acordos.

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