O novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor, mas o impacto pode ser menor do que o inicialmente temido. O governo americano ampliou a lista de produtos isentos, reduzindo o alcance da medida. Enquanto isso, o governo brasileiro prepara-se para acionar a Lei de Reciprocidade como resposta.
Lista de isenções é ampliada
A administração Trump expandiu a relação de itens que não serão afetados pela tarifa de 25%. A justificativa oficial é evitar prejuízos a setores estratégicos da economia americana e minimizar impactos sobre consumidores. Entre os produtos que permanecem fora da taxação estão componentes eletrônicos, insumos farmacêuticos e algumas commodities agrícolas.
De acordo com fontes do governo brasileiro, a ampliação das isenções reduz em cerca de 30% o valor total das exportações brasileiras que seriam atingidas pela tarifa. A medida beneficia especialmente os setores de tecnologia e saúde.
Brasil recorre à Lei de Reciprocidade
O governo federal anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade, mecanismo que permite impor barreiras comerciais a países que adotem medidas unilaterais contra o Brasil. O dispositivo foi criado em 2023 e utilizado pela primeira vez em resposta a tarifas anteriores. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a decisão visa defender a indústria nacional e equilibrar a balança comercial.
Segundo o ministro da Economia, a Lei de Reciprocidade será aplicada de forma seletiva, mirando produtos americanos que possam ser substituídos por similares brasileiros ou de outros parceiros comerciais. A medida deve entrar em vigor em até 90 dias.
Impactos no mercado financeiro
O Ibovespa Futuro registrou leve alta nesta quinta-feira, refletindo a percepção de que o tarifaço terá efeito limitado. Investidores monitoram os desdobramentos da guerra comercial e a reação do governo brasileiro. Ações de empresas como Light, Totvs, Brava, Axia, B3 e Oncoclínicas estão entre as mais acompanhadas.
O dólar opera estável, enquanto os juros futuros apresentam pequena oscilação. Analistas avaliam que o mercado já precificava parte das tarifas e que a ampliação das isenções trouxe alívio momentâneo.
Reações políticas e setoriais
A Fiesp criticou a postura do governo federal, afirmando que o tarifaço se soma ao chamado 'custo Brasil' e poderia ter sido evitado com negociação prévia. Em nota, a entidade pediu uma estratégia mais agressiva de abertura comercial e redução de burocracia.
O presidente Lula, em declaração recente, disse que 'é triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro', referindo-se ao alinhamento do ex-presidente com Trump. Já o senador Flávio Bolsonaro comparou Lula a Joe Biden e afirmou que o Brasil está 'sem piloto' na política externa.
Perspectivas para o comércio bilateral
Especialistas apontam que a guerra comercial entre EUA e Brasil pode abrir oportunidades para outros parceiros, como a China e a União Europeia. A ampliação das isenções, no entanto, sinaliza que Washington não deseja um conflito total com o Brasil, um dos maiores mercados da América Latina.
O governo brasileiro espera que a Lei de Reciprocidade sirva como instrumento de dissuasão, evitando novas sanções. Enquanto isso, exportadores brasileiros buscam diversificar destinos e reduzir a dependência do mercado americano.



