Tarifaço dos EUA: impacto menor com lista ampliada de isenções
Tarifaço dos EUA: impacto menor com lista de isenções

O governo dos Estados Unidos ampliou a lista de produtos isentos da nova tarifa de 25% sobre importações, o que pode reduzir o impacto econômico da medida. A decisão ocorre após pressão de setores industriais e comerciais que alertaram para o aumento de custos e possíveis repasses aos consumidores.

Lista de isenções e justificativas

A lista revisada inclui itens como componentes eletrônicos, matérias-primas para a indústria farmacêutica e alguns alimentos processados. Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, as isenções visam evitar danos à cadeia produtiva doméstica e conter a inflação. A medida atende a pedidos de empresas que dependem de insumos importados sem substitutos nacionais imediatos.

“A ampliação das isenções mostra que o governo americano está sensível aos riscos de uma guerra comercial descontrolada”, afirmou o economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca. A entidade estima que as tarifas poderiam elevar os custos industriais brasileiros em até 2% se mantidas integralmente.

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Reação do Brasil: Lei de Reciprocidade

O governo brasileiro anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada em 2023, que permite impor contramedidas comerciais a países que adotarem barreiras desproporcionais. A medida foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores, que estuda uma lista de produtos americanos que poderão ser sobretaxados.

“O Brasil não pode ficar passivo diante de uma ação que prejudica nossos exportadores. Vamos usar todos os instrumentos legais disponíveis para defender nossos interesses”, declarou o ministro da Economia, Fernando Haddad, em entrevista coletiva. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a postura do governo federal, afirmando que o “tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado com negociações prévias”.

Impacto nos mercados e setores

O anúncio das tarifas e das isenções gerou volatilidade nos mercados financeiros. O Ibovespa fechou em leve alta de 0,3%, enquanto o dólar comercial recuou 0,5% frente ao real, cotado a R$ 5,12. As ações de empresas exportadoras, como a BRF e a JBS, tiveram quedas moderadas, mas se recuperaram parcialmente com a notícia das isenções.

No setor de tecnologia, a Totvs e a B3 foram destaque positivo, com altas de 2,1% e 1,8%, respectivamente, impulsionadas pela expectativa de menor impacto tarifário em componentes eletrônicos. Já a Oncoclínicas informou ter recebido uma oferta da IG4, mas afirmou que não há transação acordada, o que gerou oscilações nos papéis.

Contexto internacional e próximos passos

As tarifas de 25% foram anunciadas pelo governo Trump em meio a tensões comerciais com China e União Europeia. O Brasil, embora não seja o alvo principal, foi afetado por ser um grande fornecedor de commodities e manufaturados. Analistas do Banco Mundial estimam que as tarifas podem reduzir o PIB brasileiro em 0,2% a 0,4% em 2025, dependendo da duração e da abrangência das isenções.

A Câmara dos Deputados criou uma comissão especial para acompanhar as negociações e possíveis retaliações. O presidente da comissão, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que “o Congresso dará celeridade a medidas que protejam a indústria nacional”. Enquanto isso, o governo brasileiro busca aproximação com outros países latino-americanos para uma resposta coordenada.

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