O novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 22 de outubro, deixou de fora 2.100 itens, trazendo alívio para setores como café solúvel e mel orgânico. Enquanto exportadores desses produtos comemoram a isenção, setores de manufaturados, como calçados e vestuário, já calculam perdas significativas.
Exceções conquistadas em Washington
As exceções foram obtidas após audiências realizadas em Washington, nas quais representantes do setor produtivo brasileiro defenderam seus produtos. O café solúvel e o mel orgânico estão entre os itens poupados da sobretaxa, o que foi recebido com entusiasmo pelos exportadores.
“Conseguimos demonstrar que esses produtos não competem diretamente com a produção americana e que a tarifa prejudicaria consumidores dos EUA”, afirmou um representante do setor cafeeiro, que preferiu não se identificar.
Setores manufaturados temem perdas
Enquanto isso, setores como calçados, vestuário e autopeças, que não conseguiram escapar do tarifaço, projetam impactos negativos nas exportações. Estima-se que a sobretaxa de 25% pode reduzir em até 15% as vendas desses produtos para os EUA, segundo cálculos preliminares de associações empresariais.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atribuindo as tensões diplomáticas como um dos fatores que influenciaram a medida americana. “O governo brasileiro falhou na condução da política externa, o que gerou um ambiente desfavorável para negociações comerciais”, declarou um porta-voz da Fiesp.
Impacto geral e próximos passos
O tarifaço atinge cerca de 2.100 itens, mas a lista de exceções inclui produtos estratégicos para a economia brasileira. O café solúvel, por exemplo, responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de café para os EUA. Já o mel orgânico tem mercado crescente no país norte-americano.
Empresas dos setores não contemplados buscam alternativas, como a diversificação de mercados e a negociação de acordos bilaterais. Enquanto isso, o governo brasileiro tenta reverter a medida por meio de canais diplomáticos e da Organização Mundial do Comércio (OMC).



