Tarifaço dos EUA tem mais de 2 mil exceções; Brasil pode retaliar com royalties
Tarifaço dos EUA: 2 mil exceções e possível retaliação brasileira

O novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, que entrou em vigor nesta quinta-feira (16), impõe sobretaxas de 10% a 25% sobre uma ampla gama de produtos importados, mas conta com mais de 2 mil exceções. Entre os itens isentos estão terras-raras, carne bovina, café, fertilizantes e produtos farmacêuticos. A medida, justificada pela Lei da Reciprocidade, gerou reações imediatas nos mercados brasileiros e abriu espaço para uma possível retaliação do Brasil, que pode envolver royalties e patentes farmacêuticas.

Exceções miram setores estratégicos

De acordo com a lista oficial divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA, 2.068 códigos tarifários foram excluídos das sobretaxas. Entre os principais produtos brasileiros que seguem isentos estão carne bovina in natura, café verde, minério de ferro, petróleo bruto e celulose. A decisão reflete a dependência americana de insumos básicos e a pressão de setores industriais domésticos, que alertaram para o risco de inflação caso as tarifas fossem ampliadas.

Mercados reagem com aversão ao risco

O Ibovespa fechou em queda de 1,8%, aos 175.032 pontos, pressionado pelo temor de uma guerra comercial e pela alta dos juros futuros. O Tesouro IPCA+ registrou elevação nas taxas em toda a curva, acompanhando o movimento dos Treasuries americanos. O dólar comercial subiu 0,7%, cotado a R$ 5,12. “O mercado ainda está precificando o impacto real das tarifas, mas a incerteza sobre a retaliação brasileira adiciona volatilidade”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da ARX Investimentos.

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Brasil estuda retaliação com royalties e patentes

O governo brasileiro avalia medidas de retaliação que incluem a suspensão temporária de royalties sobre medicamentos e a quebra de patentes farmacêuticas de origem americana. A informação foi confirmada por fontes do Ministério da Economia. “A ideia é mirar setores onde os EUA têm maior sensibilidade, como a indústria farmacêutica e de tecnologia”, disse um técnico envolvido nas discussões. A medida, no entanto, depende de aprovação do Congresso e pode gerar contencioso na OMC.

Fiesp critica postura do governo federal

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota criticando a reação do governo. “O tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado com uma política comercial mais proativa”, afirmou a entidade. Para a Fiesp, a falta de acordos bilaterais e a instabilidade jurídica interna agravam o impacto das barreiras externas.

Política interna esquenta: Lula e Bolsonaro trocam acusações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou: “É triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro”, insinuando que a política externa do governo anterior teria contribuído para a atual situação. Em resposta, o senador Flávio Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, atacaram Lula. Flávio comparou o presidente a Joe Biden e disse que o Brasil é um “avião sem piloto”. Zema cobrou maior articulação diplomática.

Impacto sobre empresas e setores

A Copel (CPLE6) caiu 3% após elevar a meta de alavancagem, e o JPMorgan manifestou cautela sobre a política de dividendos da empresa. Já a Movida (MOVI3) dobrou o lucro líquido no segundo trimestre de 2026, para R$ 135,6 milhões, impulsionada pela venda de ativos. A Votorantim Cimentos anunciou investimento de R$ 260 milhões em nova linha de moagem no Tocantins.

Retaliação chinesa e riscos globais

Enquanto isso, a China também anunciou tarifas retaliatórias sobre produtos americanos, elevando o temor de uma guerra comercial prolongada. O Irã ameaçou fechar mais rotas marítimas no Estreito de Ormuz, elevando a tensão no Oriente Médio. O Pentágono, por sua vez, anunciou que fará exames de testosterona em militares homens acima de 30 anos, em meio a mudanças nas políticas de saúde das Forças Armadas.

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