O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros só será negociado após as eleições presidenciais brasileiras, especialmente se o candidato Flávio Bolsonaro (PL) for o vencedor. A decisão americana foi anunciada na noite desta quarta-feira (15) e já provoca reações no Palácio do Planalto.
Estratégia americana favorece Trump
Segundo fontes do governo, a medida é vista como uma estratégia que beneficia o ex-presidente Donald Trump, que teria mais facilidade de negociação com Flávio Bolsonaro, caso este vença o pleito. Lula, por outro lado, defende manter o atual modelo de relações comerciais e resiste a fazer concessões unilaterais.
“O governo entende que os EUA só sentarão para negociar de fato após o resultado das urnas. Enquanto isso, vamos defender nossos interesses e não ceder a pressões”, afirmou um assessor palaciano sob condição de anonimato.
Impacto nas relações bilaterais
As tarifas de 25% atingem produtos como aço, alumínio, suco de laranja e etanol, setores importantes para a economia brasileira. O governo brasileiro já estuda medidas de retaliação, mas prefere aguardar o desenrolar do cenário político.
A avaliação interna é de que Trump, ao impor as tarifas, busca fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, que é alinhado ao ex-presidente americano. Lula, por sua vez, tenta evitar que o tema prejudique sua campanha à reeleição.
Próximos passos
O Itamaraty deve convocar o embaixador dos EUA no Brasil para esclarecimentos nos próximos dias. Enquanto isso, o governo Lula prepara uma lista de produtos americanos que podem sofrer sobretaxas, como forma de pressão.
“Não vamos tomar decisões precipitadas, mas também não ficaremos parados. A negociação séria começa depois das eleições”, concluiu a fonte.



