Tarifaço de 25% tem impacto menor com lista ampliada de isenções
Tarifaço de 25% tem impacto menor com isenções ampliadas

O governo federal anunciou uma ampliação significativa na lista de produtos isentos da nova tarifa de 25% sobre importações, medida que visa reduzir o impacto do chamado "tarifaço" sobre a economia. A decisão, divulgada nesta quinta-feira, inclui itens como matérias-primas, bens de capital e insumos industriais, que agora ficam livres da sobretaxa.

Lista de isenções e justificativas

Entre os produtos que passam a ter isenção estão componentes eletrônicos, máquinas e equipamentos sem similar nacional, além de fertilizantes e defensivos agrícolas. Segundo o Ministério da Economia, a medida busca evitar o aumento de custos para setores estratégicos e conter a pressão inflacionária. "A ampliação das isenções é necessária para não prejudicar a competitividade da indústria brasileira e o bolso do consumidor", afirmou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.

Reações do setor produtivo

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a postura do governo, classificando o tarifaço como uma medida que "se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitada". Em nota, a entidade defendeu que a política tarifária deveria ser mais planejada, com menor impacto sobre a cadeia produtiva. Por outro lado, associações de setores beneficiados pelas isenções elogiaram a decisão, mas alertaram para a necessidade de maior previsibilidade nas regras.

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Lei de Reciprocidade e impactos internacionais

O governo brasileiro também anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade, instrumento jurídico que permite retaliações comerciais a países que imponham barreiras aos produtos nacionais. A medida é vista como resposta a sobretaxas aplicadas por parceiros comerciais, especialmente os Estados Unidos. Especialistas apontam que a ação pode gerar tensões diplomáticas, mas também proteger setores sensíveis da economia.

Números do mercado financeiro

No mercado financeiro, o Ibovespa operava em leve alta de 0,3% no início da tarde, refletindo o alívio parcial com as isenções. O dólar comercial recuava 0,5%, cotado a R$ 5,20, enquanto os juros futuros apresentavam queda moderada. Ações de empresas como Light, Totvs, Brava, Axia, B3 e Oncoclínicas estavam entre as mais negociadas, com destaque para a Oncoclínicas, que informou ter recebido uma oferta da IG4, mas sem acordo fechado.

Impacto sobre o consumidor

Apesar das isenções, analistas alertam que o tarifaço ainda deve pressionar a inflação, especialmente em setores como o de eletrônicos e automóveis. O IPCA, índice oficial de inflação, pode registrar aceleração nos próximos meses, embora em magnitude menor do que o inicialmente previsto. O governo espera que a ampliação das isenções ajude a conter a alta de preços, mas reconhece que o efeito total só será conhecido nos próximos trimestres.

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