O governo brasileiro anunciou a ampliação da lista de produtos isentos da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos, o que pode reduzir o impacto econômico da medida. A decisão foi tomada no âmbito da Lei de Reciprocidade, que permite ao Brasil retaliar barreiras comerciais consideradas desleais.
Produtos isentos e justificativa
De acordo com o Ministério da Economia, a lista inclui itens como matérias-primas, bens de capital e insumos industriais que não têm produção nacional suficiente. A justificativa é evitar o aumento de custos para a indústria brasileira e proteger a competitividade das exportações.
Segundo o secretário de Comércio Exterior, a ampliação das isenções foi negociada com setores produtivos para minimizar os efeitos negativos. "Estamos protegendo a cadeia produtiva e garantindo que o impacto sobre o consumidor final seja o menor possível", afirmou.
Lei de Reciprocidade em ação
A Lei de Reciprocidade, sancionada em 2023, permite ao Brasil aplicar medidas equivalentes a barreiras comerciais impostas por outros países. No caso das tarifas americanas, o governo optou por uma abordagem seletiva, isentando setores estratégicos.
Especialistas apontam que a medida pode reduzir em até 40% o efeito das tarifas sobre a economia brasileira. No entanto, alertam que o cenário ainda é incerto, dependendo da evolução das negociações bilaterais.
Reações do mercado
O mercado financeiro reagiu com cautela. O Ibovespa operou estável, enquanto o dólar apresentou leve alta. A Fiesp criticou a postura do governo federal, afirmando que o tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado com uma diplomacia mais ativa.
"O tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado", disse o presidente da Fiesp em nota. A entidade defende uma agenda de reformas para aumentar a competitividade.
Impacto setorial
Setores como o agronegócio e a indústria automotiva foram os mais afetados. A lista de isenções inclui componentes eletrônicos e máquinas, mas exclui bens de consumo como eletrodomésticos e calçados. A expectativa é que a medida beneficie principalmente a indústria de transformação.
No agronegócio, a soja e o milho continuam sujeitos à tarifa, o que pode pressionar os preços internos. Já a indústria automotiva terá que absorver o custo adicional, o que pode impactar as vendas de veículos.
Próximos passos
O governo brasileiro planeja intensificar as negociações com os EUA para buscar uma solução definitiva. Enquanto isso, a ampliação das isenções será revisada periodicamente, com base na evolução do comércio bilateral. A expectativa é que o impacto total das tarifas seja conhecido nos próximos meses.



