Impacto do novo tarifaço nas exportações brasileiras
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (16) que os setores atingidos pelo novo tarifaço correspondem a 15% das exportações brasileiras. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Brasília, após o anúncio das novas alíquotas.
Segundo o ministro, o impacto é menor do que o inicialmente previsto por analistas, que estimavam que até 25% das exportações poderiam ser afetadas. "Os números mostram que a exposição é limitada e que a economia brasileira tem resiliência para absorver esse choque", declarou Guedes.
Setores mais afetados
Os setores mais atingidos são os de commodities agrícolas, minério de ferro e carne bovina. Juntos, eles representam aproximadamente R$ 45 bilhões em embarques ao exterior. O governo estuda medidas de compensação para esses segmentos, incluindo linhas de crédito especiais e desoneração tributária.
A Associação Brasileira de Exportadores (AEB) criticou a medida. "Esse tarifaço chega em um momento delicado, com a economia global desacelerando. Vamos pressionar o governo por uma renegociação", afirmou o presidente da entidade, José Augusto de Castro.
Reações do mercado
O mercado financeiro reagiu com cautela. O dólar subiu 0,8% e fechou cotado a R$ 5,20. A bolsa de valores recuou 1,2%, puxada pelas ações de empresas exportadoras. Analistas do Banco Safra projetam que o PIB pode sofrer um impacto negativo de até 0,3 ponto percentual em 2026.
O ministro descartou a possibilidade de retaliação imediata. "Vamos buscar o diálogo. O Brasil não tem interesse em uma guerra comercial", afirmou. Ele também lembrou que o país possui acordos comerciais com diversos blocos que podem atenuar os efeitos.
Medidas de mitigação
O governo anunciou a criação de um comitê de crise para acompanhar os desdobramentos. Entre as ações previstas estão a aceleração de negociações com a União Europeia e a China, além de incentivos à diversificação da pauta exportadora.
Especialistas alertam que o tarifaço pode acelerar a busca por novos mercados. "É uma oportunidade para o Brasil reduzir sua dependência de poucos parceiros comerciais", avaliou a economista-chefe do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Silva.
O ministro encerrou a coletiva reafirmando o compromisso com o equilíbrio fiscal. "Não vamos ceder a pressões setoriais que comprometam a responsabilidade fiscal. As medidas de compensação serão dentro do orçamento", concluiu.



