Tarifa de 25% dos EUA sobre Brasil tem impacto limitado, diz economista
Tarifa de 25% dos EUA sobre Brasil tem impacto limitado

A tarifa de 25% contra produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15/07), deve ter impacto restrito diante da extensa lista de itens isentos divulgada, afirma a economista e pesquisadora do PIIE (Instituto Peterson de Economia Internacional, nos EUA), Monica de Bolle. Ainda segundo a especialista brasileira, o cenário revela os limites do protecionismo e da margem de manobra de Donald Trump no mundo globalizado de hoje, que são muito menores do que o presidente americano faz parecer em suas ameaças.

Impacto limitado e lista de exceções

"Com essa lista de exceções, fica muito claro os limites que os Estados Unidos tem para aplicar esse tipo de medida protecionista com a mesma envergadura que eles anunciaram", diz a economista. Pelas contas de De Bolle, cerca de 65% das exportações brasileiras para os EUA ficarão isentas das tarifas. Os EUA divulgaram lista atualizada com mais de 2,2 mil itens isentos, incluindo carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves.

De Bolle afirma que não há lógica econômica clara por trás das decisões tarifárias de Trump e classificou a medida contra o Brasil como "uma ação coercitiva política". "Apesar de aparentemente não quererem mais isso, os Estados Unidos são uma economia muito integrada com o resto do mundo. Por essa razão, o leverage que os Estados Unidos tem é muito menor na prática do que na retórica", disse em entrevista à BBC News Brasil.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reação do Brasil e possibilidade de retaliação

A aplicação das tarifas foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas. Entrará em vigor em 22 de julho. O representante americano de comércio, Jamieson Greer, disse que a medida busca "enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas".

O governo brasileiro repudiou a decisão, classificando o dia 15 de julho como "um marco lastimável", e iniciará trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade e levar o caso à OMC. Para De Bolle, uma retaliação pode abrir guerra comercial, algo "não bom para ninguém". Ela sugere que o Brasil pode optar por uma ação retaliatória limitada, apenas para sinalizar oposição.

Impacto eleitoral e geopolítico

De Bolle acredita que as tarifas podem ter impacto eleitoral no Brasil, especialmente com o alinhamento de Flávio Bolsonaro a Trump. "O alinhamento do Flávio Bolsonaro com o governo Trump é um ônus político para a campanha dele, sem nenhuma dúvida", afirma. Ela destaca que a política externa de Trump visa estabelecer a América Latina como zona de influência dos EUA, e que o Brasil enfrenta um problema geopolítico mais amplo.

Quanto à diversificação de mercados, De Bolle aponta que o Brasil já negocia com União Europeia, Canadá e países asiáticos, mas que o processo leva tempo. Ela prevê que as negociações com os EUA avançarão mais em nível privado, entre empresas e setores, resultando em uma "balcanização do comércio".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar