Risco macro fundamental volta aos mercados globais
Risco macro fundamental retorna aos mercados

Após um período de relativa calmaria nos mercados financeiros globais, o risco macro mais fundamental está de volta. A combinação de incertezas fiscais nos Estados Unidos, tensões geopolíticas renovadas e sinais de desaceleração econômica na China reacendeu a volatilidade nos ativos de risco, pegando muitos investidores desprevenidos.

O que mudou no cenário?

Nas últimas semanas, o mercado operou com a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) iniciaria um ciclo de cortes de juros já em setembro. No entanto, dados de inflação acima do esperado e declarações hawkish de membros do Fed jogaram água fria nessa aposta. Além disso, o impasse no Congresso dos EUA sobre o teto da dívida voltou ao centro das atenções, com o prazo final se aproximando sem acordo à vista.

Segundo relatório do Bank of America divulgado nesta quarta-feira, o índice de estresse financeiro global subiu para o maior nível desde março de 2023. “O risco macro mais fundamental está de volta: a combinação de política fiscal frouxa e monetária apertada cria um ambiente incerto para os mercados”, afirmou o estrategista-chefe do banco, Michael Hartnett.

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Impacto nos ativos

O índice S&P 500 acumula queda de 3,5% na semana, enquanto o rendimento do Título de 10 anos dos EUA saltou para 4,8%, maior patamar desde 2007. O dólar se fortaleceu frente às principais moedas, com o DXY operando acima de 106 pontos. Economias emergentes, como o Brasil, sentem o reflexo: o Ibovespa caiu 2,1% no dia, com saída de capital estrangeiro.

“O mercado estava precificando um cenário de pouso suave que agora parece menos provável. O risco de recessão não está descartado, especialmente se o Fed mantiver os juros altos por mais tempo”, avalia a economista-chefe da XP Investimentos, Tatiana Nogueira.

Geopolítica e commodities

O agravamento do conflito no Oriente Médio adicionou outra camada de incerteza. O preço do petróleo Brent superou os US$ 90 o barril, alimentando preocupações inflacionárias. O ouro, tradicional ativo de refúgio, atingiu nova máxima histórica de US$ 2.450 a onça.

Analistas do Goldman Sachs alertam que a volatilidade deve persistir. “Estamos em um regime de risco macro elevado, onde notícias fiscais e geopolíticas podem causar movimentos bruscos. Os investidores precisam se preparar para oscilações de 2% a 3% nos índices acionários”, diz o relatório.

Perspectivas

Para os próximos dias, o mercado acompanha a reunião do G20 e a divulgação do PIB dos EUA no segundo trimestre. Qualquer sinal de desaceleração mais forte pode reforçar a aposta em cortes de juros, mas também aumentar o temor de recessão. No Brasil, a atenção se volta para o arcabouço fiscal e a tramitação de medidas de ajuste no Congresso.

“O risco macro fundamental está de volta, e com ele a necessidade de cautela. A diversificação e a gestão de risco são essenciais neste momento”, conclui Hartnett.

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