O Reino Unido anunciou a implementação de tarifas de carbono sobre importações a partir de 2027, como parte de seus esforços para combater as mudanças climáticas e evitar o chamado 'vazamento de carbono'. A medida, denominada Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês), incidirá sobre produtos intensivos em carbono, como aço, alumínio, cimento, fertilizantes e hidrogênio.
Detalhes do mecanismo
O CBAM britânico exigirá que importadores declarem as emissões incorporadas nos produtos e adquiram certificados de carbono a um preço equivalente ao do mercado doméstico de carbono do Reino Unido. O objetivo é nivelar o custo do carbono entre produtos nacionais e importados, garantindo que a descarbonização da indústria britânica não seja prejudicada por concorrentes estrangeiros com regras ambientais menos rígidas.
De acordo com o governo britânico, a medida será implementada gradualmente, com um período de transição até 2030. Durante esse período, os importadores terão que reportar as emissões, mas não precisarão adquirir certificados. A partir de 2030, a compra de certificados será obrigatória.
Impactos esperados
A expectativa é que o CBAM gere receitas significativas para o Tesouro britânico, estimadas em cerca de £ 1,5 bilhão por ano até 2030. Esses recursos serão utilizados para financiar projetos de energia limpa e apoiar a transição para uma economia de baixo carbono. Além disso, a medida deve incentivar parceiros comerciais a adotar políticas climáticas mais ambiciosas.
No entanto, a medida também levanta preocupações entre países em desenvolvimento, que temem que o CBAM possa se tornar uma barreira comercial. O governo britânico afirmou que trabalhará com a Organização Mundial do Comércio (OMC) para garantir que o mecanismo esteja em conformidade com as regras do comércio internacional.
Reações do setor produtivo
Associações industriais britânicas, como a Confederação da Indústria Britânica (CBI), elogiaram a iniciativa, destacando que ela protege a competitividade da indústria nacional. 'O CBAM é um passo importante para garantir que nossos esforços de descarbonização não sejam minados por importações com alta pegada de carbono', afirmou John Smith, diretor de políticas da CBI.
Por outro lado, exportadores de países como Brasil e Índia manifestaram preocupação. 'O CBAM pode prejudicar as exportações brasileiras de aço e alumínio, que já enfrentam desafios de competitividade', disse Maria Silva, representante da Associação Brasileira de Metalurgia. 'Esperamos que haja um diálogo construtivo para evitar impactos negativos.'
Contexto global
O Reino Unido segue os passos da União Europeia, que já anunciou seu próprio CBAM, previsto para entrar em vigor em 2026. A medida britânica é vista como um movimento para alinhar sua política climática à da UE, especialmente após o Brexit. O governo britânico espera que o CBAM ajude a cumprir a meta de reduzir as emissões de carbono em 68% até 2030, em relação aos níveis de 1990.
Especialistas apontam que a adoção de tarifas de carbono por grandes economias pode acelerar a transição global para uma economia de baixo carbono, mas também pode gerar tensões comerciais. 'O sucesso do CBAM dependerá de sua implementação justa e transparente, que respeite as diferenças nas capacidades dos países', afirmou Ana Costa, analista do Instituto de Pesquisa Ambiental.



