Produção industrial da zona do euro tem melhor trimestre desde 2022
Produção industrial da zona do euro tem melhor trimestre desde 2022

A produção industrial da zona do euro encerrou em junho seu melhor trimestre desde o início de 2022, impulsionada pela redução das pressões de custos e pelas negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que aliviaram as fábricas mesmo com a demanda fraca por exportações pesando sobre o crescimento da atividade, segundo pesquisa da S&P Global divulgada nesta quarta-feira.

Alívio nas cadeias de suprimento

O conflito no Oriente Médio continuou a lançar uma sombra sobre as cadeias de oferta, mas surgiram sinais de alívio: o subíndice de prazos de entrega dos fornecedores do setor industrial subiu para a máxima em três meses. Para contornar as interrupções, os fabricantes recorreram a materiais adquiridos antecipadamente, o que provocou uma contração acentuada nos estoques de pré-produção.

PMI industrial cai, mas permanece em expansão

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) de indústria da S&P Global para a zona do euro caiu para 51,4 em junho, a menor marca em quatro meses, ante 51,6 em maio, mas permaneceu acima do limiar de 50,0 pelo quinto mês consecutivo. O resultado ficou ligeiramente acima da preliminar de 51,3.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

A S&P Global observou que a maioria das respostas à pesquisa foi coletada antes da assinatura de memorando de entendimento para um cessar-fogo entre EUA e Irã, em 17 de junho, o que significa que o impacto total sobre as cadeias de oferta e os custos de energia ainda não foi capturado nos dados.

Resiliência da economia industrial

“Um novo aumento na produção industrial em junho reforça os sinais de resiliência na economia da zona do euro”, afirmou Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence. “A expansão de junho, de fato, encerra o trimestre mais forte para a produção industrial da zona do euro desde os primeiros meses de 2022 e compensará o recente declínio registrado na economia de serviços.”

“No entanto, não está claro se as notícias mais positivas vindas do Oriente Médio levarão a uma melhora adicional no desempenho da economia industrial no curto prazo”, acrescentou Williamson.

Redução das pressões de custos

“Esse crescimento sustentado foi acompanhado por uma bem-vinda redução das pressões sobre os custos, refletindo em grande parte a queda acentuada nos preços do petróleo observada durante o mês, juntamente com uma diminuição das preocupações com a oferta.”

Uma pesquisa da Reuters publicada no início de junho previa expansão de 0,1% da economia neste trimestre.

Novas encomendas e exportações

As novas encomendas voltaram a apresentar crescimento modesto no mês passado, após uma estagnação em maio, embora o aumento tenha sido apenas marginal. Os pedidos de exportação continuaram a representar um leve peso.

O subíndice de produção subiu de 51,3 para 51,7 em junho, atingindo a maior marca em dois meses. Espanha e França foram os únicos países da pesquisa a registrar quedas.

Emprego e inflação

O número de funcionários nas fábricas continuou a diminuir, embora o ritmo das perdas de empregos tenha se moderado.

Em relação aos preços, a inflação dos custos dos insumos — embora ainda elevada — caiu para seu ritmo mais fraco desde março, interrompendo uma sequência de pressão crescente que se estendia desde setembro. A inflação dos preços de venda também diminuiu e atingiu a menor leitura em três meses, oferecendo algum alívio aos compradores.

Contexto do BCE

O Banco Central Europeu elevou as taxas de juros em junho, à medida que um aumento nos custos de energia relacionado à guerra empurrou a inflação para mais de 3%, bem acima de sua meta de 2%.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar