Em meio aos escombros de um prédio desabado em La Guaira, no norte da Venezuela, a moradora Amparo del Giudice escava incansavelmente em busca do filho, desaparecido após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a região na última quarta-feira (24). Com as mãos feridas e ferramentas improvisadas, ela repete: 'São muitas pedras e com as mãos não dá'. A tragédia já deixou ao menos 589 mortos, segundo balanço oficial divulgado neste sábado (27), e milhares continuam desaparecidos.
Busca desesperada por sobreviventes
Na cidade litorânea de La Guaira, uma das mais afetadas, dezenas de famílias se unem a voluntários e equipes de resgate para retirar escombros de edifícios que ruíram. 'Não temos máquinas suficientes. Estamos usando picaretas, pás e as próprias mãos', relata Carlos Márquez, bombeiro voluntário que atua no local desde o primeiro tremor. A presidente interina Delcy Rodríguez declarou a região como zona de desastre e mobilizou forças armadas para auxiliar nas operações.
Estruturas rachadas e saques agravam crise
Além da destruição, a cidade enfrenta problemas secundários. Prédios que ainda estão de pé apresentam rachaduras profundas e correm risco de desabamento. Moradores foram orientados a não retornar a suas casas, mas muitos ignoram o alerta para buscar pertences. Relatos de saques a estabelecimentos comerciais e residências abandonadas também aumentam a tensão. 'A situação é caótica. Precisamos de ajuda humanitária urgente', afirma a prefeita de La Guaira, María Gabriela Hernández.
Número de vítimas pode subir
Autoridades temem que o número de mortos ultrapasse 600, já que equipes de busca ainda não conseguiram acessar todos os pontos atingidos. 'Há bairros inteiros soterrados. Trabalhamos sem parar, mas o tempo é nosso maior inimigo', diz o coordenador da Defesa Civil, José Gregorio Silva. Enquanto isso, Amparo del Giudice continua cavando, alimentando a esperança de encontrar o filho com vida. 'Não vou parar até achá-lo', afirma, com os olhos marejados.



