Produção da OPEP sobe para 30,2 milhões de bpd em setembro
Produção da OPEP sobe para 30,2 milhões de bpd em setembro

Em setembro, a produção de petróleo da OPEP subiu para 30,2 milhões de barris por dia (bpd), um aumento de 150 mil bpd ante agosto, segundo o relatório mensal divulgado pela organização nesta segunda-feira. Este é o terceiro mês consecutivo de alta, sinalizando um afrouxamento gradual dos cortes de produção adotados pelo grupo para sustentar os preços.

Nigéria e Iraque lideram alta na oferta

O crescimento foi puxado por Nigéria e Iraque, que elevaram suas produções em 120 mil bpd e 90 mil bpd, respectivamente. Segundo o relatório, esses países estão conseguindo aumentar as exportações após melhorias na infraestrutura e no ambiente de segurança. Já a Arábia Saudita, principal produtor do grupo, reduziu seu bombeamento em 80 mil bpd, permanecendo dentro da cota acordada.

  • Nigéria: +120 mil bpd
  • Iraque: +90 mil bpd
  • Arábia Saudita: -80 mil bpd

O volume total da OPEP agora está cerca de 300 mil bpd acima da meta de produção definida pelo grupo para o terceiro trimestre. A entidade monitora a oferta e a demanda para evitar desequilíbrios que possam afetar a estabilidade do mercado.

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Revisão da demanda global

No mesmo documento, a OPEP revisou levemente a projeção de crescimento da demanda mundial por petróleo em 2026 para 2,3 milhões de bpd, impulsionada por países asiáticos e pelo setor petroquímico. "O mercado apresenta fundamentos sólidos, com estoques comerciais abaixo da média sazonal nos países da OCDE", afirmou o texto do relatório.

O relatório também destaca que os estoques de petróleo dos países desenvolvidos caíram 20 milhões de barris em julho, reforçando a visão de um mercado apertado antes do inverno no hemisfério norte.

Impacto nos preços e no Brasil

Apesar do aumento da oferta, os preços do Brent operam acima de US$ 80 o barril, sustentados pela demanda robusta e por tensões geopolíticas. Analistas afirmam que o acréscimo de produção pode aliviar as pressões inflacionárias, mas também adiciona incerteza sobre as próximas decisões do grupo.

O próximo encontro da OPEP está marcado para dezembro, quando os ministros devem avaliar os níveis de produção para 2027. Alguns membros, como os Emirados Árabes Unidos, já sinalizaram interesse em elevar suas cotas, o que pode gerar debates internos.

O aumento da produção da OPEP pode beneficiar o Brasil, que vem ampliando sua participação no mercado internacional com a produção do pré-sal. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o país produziu 3,4 milhões de bpd em agosto, um recorde histórico. A tendência é que a concorrência acirrada leve os preços a um nível mais baixo, favorecendo importadores de derivados.

Especialistas lembram que a política de produção da OPEP é um fator-chave para o equilíbrio global. "Um aumento contido, como este, é bem visto pelo mercado, pois demonstra que o grupo está comprometido em evitar um excesso de oferta", comentou a analista Marina Silva, da consultoria PetroMundial.

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