Presidente sul-coreano encerra visita ao Brasil com rodada de negócios
Presidente sul-coreano encerra visita ao Brasil

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, encerrou sua agenda no Brasil com uma extensa rodada de negócios entre líderes empresariais dos dois países. O Brazil-Korea Business Roundtable, realizado em São Paulo, foi mais do que uma cerimônia de assinatura de acordos: estruturado como uma grande mesa de negociação, o evento mediado pelo vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin e pelo próprio Lee Jae Myung contou com a participação de cerca de 30 executivos de empresas de destaque, que se revezaram em três painéis temáticos para apresentar gargalos, oportunidades de investimento e propostas de cooperação bilateral.

Painéis abordam manufatura, indústrias avançadas e bens de consumo

No primeiro bloco, executivos de companhias como Hyundai, Posco, LG Electronics, Hanwha Ocean, Vale, Suzano, Braskem, Inpasa, Tupy e HD Hyundai Construction Equipment discutiram projetos ligados à indústria, infraestrutura e transição energética. O segundo painel concentrou-se em inteligência artificial, semicondutores, saúde, inovação e setor aeroespacial, com representantes de Samsung Electronics, Embraer, Eurofarma, WEG, Stefanini, SK Biopharmaceuticals, NAVER, Korean Air e Korea Aerospace Industries. Já o terceiro bloco reuniu executivos de JBS, Minerva Foods, Ambev, Amorepacific, APR, Silicon2 e Korea Importers Association (KOIMA), com foco em alimentos, bebidas, cosméticos e distribuição.

A escolha desses setores reflete as prioridades da agenda econômica entre os dois países e coincide com áreas estratégicas do governo brasileiro, que busca diversificar mercados externos após o aumento das tarifas impostas pelos EUA. Apesar de Brasil e Coreia estarem sendo alvo dessas tarifas, os EUA não foram citados durante os debates. Em entrevistas após o evento, Alckmin reiterou que o presidente americano Donald Trump “não esteve na pauta”.

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Acordos firmados fortalecem cooperação bilateral

Ao fim das apresentações, parte das discussões foi formalizada com a assinatura de memorandos de entendimento entre empresas e instituições. Entre os acordos anunciados estão: a parceria entre ApexBrasil e KOTRA para aprofundamento da cooperação comercial e de investimentos; a colaboração entre Embrapii e KIAT, e Finep e KIAT, em pesquisa, inovação, inteligência artificial e descarbonização; a aliança entre Eurofarma e SK Biopharmaceuticals para neurociências, IA e terapias para epilepsia; a expansão da JBS com Highland Foods na Coreia e em outros mercados; e a cooperação entre Embraer e Korea Aerospace Industries (KAI) no setor aeroespacial.

Minerva Foods mira substituir EUA e Austrália no mercado coreano

No painel de bens de consumo, o CEO da Minerva Foods, Fernando Queiroz, destacou que a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira representa uma oportunidade estratégica. Segundo ele, a Coreia importa mais de 60% dos alimentos que consome, dependendo principalmente de EUA e Austrália. “Nós podemos dar à Coreia segurança alimentar, controle da inflação — especialmente para as classes menos privilegiadas —, constância e diminuir a dependência de um mercado que não é promissor”, afirmou Queiroz. Ele ressaltou que o rebanho brasileiro soma “mais de duas vezes a soma da Austrália e da Índia”, e que o evento acelerou as negociações para o acordo sanitário necessário ao fornecimento de carne bovina.

O presidente do conselho da JBS, Jerry O’Callaghan, reforçou a avaliação, lembrando que a companhia já possui estrutura logística consolidada para atender à Ásia. “Já conhecemos bem o mercado, conhecemos a logística [...] atendemos subprodutos da nossa produção, como biocombustíveis — particularmente o biodiesel —, sebo bovino e colágeno, que serve como matéria-prima para os colegas aqui do setor de beleza”, disse. Ele acrescentou que o sorgo para consumo humano, com alto teor de proteína, “está bastante demandado pelos produtores”.

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Ambev pede previsibilidade e segurança jurídica

A vice-presidente da Ambev, Carla Crippa, lembrou que Brasil e Coreia já compartilham integração empresarial relevante, citando que a cervejaria brasileira faz parte do mesmo grupo controlador da sul-coreana OB. “Para manter os investimentos de longo prazo, precisamos cada vez mais de previsibilidade e segurança jurídica nos nossos países”, afirmou. O pedido ecoou entre os empresários, que destacaram a importância de um ambiente regulatório estável para sustentar investimentos de longo prazo em setores como bebidas e alimentos.

Tecnologia e saúde também avançam

No painel de indústrias avançadas, a aproximação entre empresas de tecnologia e saúde resultou em acordos concretos. A Eurofarma e a SK Biopharmaceuticals firmaram um memorando para ampliar a colaboração em neurociências na América Latina, incluindo terapias para epilepsia, expansão do uso do medicamento cenobamato e aplicação de inteligência artificial em saúde. A Embraer e a Korea Aerospace Industries (KAI) assinaram acordo para identificar novas oportunidades no setor aeroespacial. Durante o evento, Alckmin lembrou que a Coreia foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão.

O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o encontro abriu caminhos para aprofundar a parceria estratégica entre Brasil e Coreia do Sul. “A mesa-redonda demonstrou o enorme potencial de cooperação em áreas como inovação, energia, alimentos e tecnologia. Os acordos assinados são um passo importante para fortalecer os laços econômicos entre os dois países”, afirmou.