O índice de gerentes de compras (PMI) da indústria da zona do euro subiu para 50,3 em julho, ante 49,8 em junho, segundo dados preliminares da S&P Global divulgados na manhã desta segunda-feira. Foi a maior leitura desde abril de 2024, quando o indicador marcou 50,5.
O resultado veio acima da mediana das expectativas de analistas consultados pela FactSet, que previam 50,0. Com isso, o setor industrial da região retorna à zona de expansão, após dois anos de leituras majoritariamente abaixo de 50 pontos.
O subíndice de novos pedidos subiu pelo terceiro mês consecutivo, impulsionado pela demanda externa, enquanto o de produção alcançou o nível mais alto em 15 meses. Por outro lado, o subíndice de emprego recuou marginalmente, sugerindo cautela das empresas em relação à contratação.
A pressão sobre os custos de produção seguiu atenuada, com o subíndice de preços de insumos em queda. A redução dos custos de energia e a desaceleração dos preços de commodities foram os principais fatores citados pelas empresas.
Melhora disseminada entre as principais economias
Entre os países da moeda única, a Espanha liderou a alta, com o PMI saltando de 49,2 em junho para 51,6 em julho, a maior leitura do bloco. A Itália também operou acima da linha neutra, com 50,4. Na França e na Alemanha, os índices seguiram abaixo de 50, mas registraram avanços, passando para 48,9 e 48,2, respectivamente.
O desempenho alemão, especificamente, surpreendeu positivamente, pois a maior economia da Europa vinha carregando o peso da desaceleração global. Os dados do PMI sugerem que a indústria local pode estar se aproximando de um ponto de inflexão.
Impacto na política monetária
O número reforça a avaliação de que o Banco Central Europeu (BCE) manterá as taxas de juros inalteradas ao menos até dezembro. A instituição elevou os juros ao longo de 2025 para conter a inflação, que segue acima da meta de 2%.
Em nota, a economista-chefe do Banco Comercial de Hamburgo (HCOB), parte vital da pesquisa, afirmou que "a zona do euro está finalmente mostrando sinais de recuperação industrial, embora a demanda doméstica ainda seja frágil". A HCOB é parceira da S&P Global na condução do levantamento.
A expectativa é de que o PMI continue melhorando nos próximos meses, à medida que o efeito dos cortes de impostos sobre as empresas e a queda das taxas de financiamento comecem a se materializar. No entanto, o cenário externo segue como incógnita, com desaceleração nos EUA e incertezas políticas na Ásia.
O que é o PMI
O Índice de Gerentes de Compras é um indicador que antecipa tendências econômicas. Um valor acima de 50 indica expansão da atividade em relação ao mês anterior; abaixo de 50, contração. A pesquisa da S&P Global ouve aproximadamente 3.500 empresas do setor industrial.
O dado preliminar de julho será revisado no início de agosto, quando a S&P Global divulgará o número final. Apesar das revisões normalmente pequenas, os investidores acompanharão a evolução do índice para calibrar apostas sobre os próximos passos do BCE.
Reação dos mercados
O euro avançou ante o dólar após a divulgação do indicador, enquanto as bolsas europeias operavam em alta. O índice Stoxx 600 subia 0,3% por volta das 9h30 (horário de Brasília), puxado pelos papéis do setor industrial.
Já os rendimentos dos títulos soberanos da zona do euro subiam, com a taxa do Bund alemão de 10 anos passando de 2,42% para 2,45%. O movimento refletia a percepção de que o BCE não precisará cortar os juros em setembro.
"O PMI reforça a narrativa de que os juros podem permanecer mais altos por mais tempo, mas não elimina a necessidade de estímulo caso a inflação continue caindo", avaliou o estrategista-chefe do Commerzbank, em relatório a clientes.
Em suma, o dado de julho traz um alívio para a economia europeia, mas desafios estruturais, como a competitividade do setor manufatureiro e a transição energética, seguem no radar. A trajetória futura dependerá da demanda global e das decisões de política econômica nos próximos meses.



