O preço do petróleo Brent, referência internacional, superou a marca de US$ 100 por barril nesta segunda-feira, 24 de julho, pela primeira vez desde 2014. O avanço foi impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente após ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico.
Ataques elevam prêmio de risco
Dois petroleiros foram atingidos por explosões na costa dos Emirados Árabes Unidos no fim de semana, elevando o temor de uma escalada militar na região. O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammad Barkindo, afirmou que "a segurança das rotas de navegação é fundamental para a estabilidade do mercado".
O Brent fechou em alta de 4,2%, cotado a US$ 100,45 o barril, maior nível desde setembro de 2014. O West Texas Intermediate (WTI), referência americana, subiu 3,8%, para US$ 95,80.
Impacto na economia global
Analistas alertam que a alta do petróleo pode pressionar a inflação global e reduzir o crescimento econômico. O economista-chefe do Banco Mundial, Carmen Reinhart, disse que "cada aumento de US$ 10 no barril reduz o crescimento global em cerca de 0,3 ponto percentual".
Países importadores de petróleo, como Brasil, Índia e Japão, são os mais afetados. No Brasil, a Petrobras ainda não anunciou reajuste nos preços dos combustíveis, mas especialistas esperam aumentos nas próximas semanas.
Opep+ mantém produção
A Opep e seus aliados, liderados pela Rússia, decidiram manter a política de aumento gradual da produção, em 400 mil barris por dia a partir de agosto. No entanto, o mercado considera o volume insuficiente para conter a alta dos preços diante da demanda global em recuperação.
O ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, afirmou que "o mercado está bem abastecido, mas os eventos geopolíticos fogem ao nosso controle".
Perspectivas
Segundo o Goldman Sachs, o petróleo pode atingir US$ 120 por barril até o final do ano se as tensões persistirem. O banco elevou sua previsão de preço médio para 2026 de US$ 90 para US$ 105.
Investidores monitoram as negociações sobre o programa nuclear iraniano, que podem liberar mais petróleo no mercado. No entanto, as conversas estão paralisadas desde junho.



