O petróleo registrou queda expressiva e a gasolina recuou nos postos depois que Estados Unidos e Irã firmaram um acordo para encerrar um conflito de meses que havia provocado a maior interrupção de abastecimento da história. Como resultado, algumas embarcações foram avistadas realizando as primeiras travessias pelo Estreito de Ormuz desde o início das hostilidades.
Queda nos preços do petróleo
O petróleo Brent, referência global, recuou até 3,1%, atingindo o patamar abaixo de US$ 78 o barril em Londres — o menor nível desde o início de março. Esse movimento ampliou as perdas acumuladas durante o período de guerra, após o presidente Donald Trump anunciar a assinatura de um acordo provisório que prevê a rápida reabertura da via navegável crítica do Golfo Pérsico. Nos Estados Unidos, os preços da gasolina caíram para menos de US$ 4 o galão pela primeira vez desde março.
Impacto na produção e oferta
O fim das tensões e a reabertura do Estreito de Ormuz abrem caminho para a retomada da produção de milhões de barris de petróleo que havia sido interrompida por grandes exportadores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque. Essa interrupção, inicialmente, impulsionou os preços dos principais combustíveis a níveis recordes. Agora, a expectativa é de que haja mais pressão de baixa sobre os preços, que já recuaram cerca de 38% desde que atingiram a máxima de quatro meses em abril.
Sinais de progresso no transporte marítimo
Movimentações de embarcações indicam avanços iniciais. Três superpetroleiros carregados, controlados pela empresa saudita Bahri e que estavam retidos no Golfo Pérsico, ativaram seus sinais de rastreamento no Golfo de Omã. Simultaneamente, um navio transportando gás natural liquefeito do Catar e um navio-tanque chinês também deixaram a região, conforme dados de rastreamento de navios.
Segundo Aldo Spanjer, chefe de estratégia de energia do BNP Paribas SA, a probabilidade de Ormuz permanecer aberto — assumindo que o acordo seja finalizado na sexta-feira — é agora maior do que em qualquer outro momento durante a crise. No entanto, ele ressalta que, mesmo no melhor cenário, serão necessários vários meses para que os fluxos de petróleo se normalizem.
Crise e recuperação
O Irã havia declarado o fechamento do Estreito de Ormuz após sofrer ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, bloqueando efetivamente a rota por onde passa um quinto do petróleo mundial. Posteriormente, os EUA também impuseram um bloqueio a essa via de escoamento, numa tentativa de intensificar a pressão sobre a República Islâmica. A crise impulsionou os contratos futuros de petróleo Brent para acima de US$ 126 o barril em abril, o nível mais alto desde 2022. No entanto, à medida que o processo diplomático ganhava força e os produtores encontravam meios de escoar cargas do Golfo de forma discreta, a alta começou a perder fôlego.
Os contratos futuros de Brent recuaram cerca de 11% até agora nesta semana, caminhando para a segunda perda semanal consecutiva. Com a nova queda registrada na quinta-feira, a referência global de preços está apenas pouco mais de US$ 5 acima do patamar anterior à eclosão da guerra. Os preços dos derivados de petróleo também estão em queda, acompanhando o recuo do petróleo bruto. A média nacional dos preços da gasolina nos EUA caiu para US$ 3,999 o galão, ante a máxima de US$ 4,564 registrada no mês passado, segundo dados diários da American Automobile Association.
Desafios e incertezas
Apesar dos avanços, o retorno à normalidade anterior à guerra não está garantido. O Goldman Sachs Group Inc. afirmou que agora se espera que as exportações do Golfo Pérsico se normalizem até o final do próximo mês — uma previsão que anteriormente apontava para o final de agosto. No entanto, o fluxo pelo Estreito de Ormuz pode recuperar-se apenas até 70% dos níveis pré-guerra, segundo analistas do banco, que destacaram a utilização de rotas alternativas pelos produtores.
Embora os preços do petróleo tenham recuado, a pressão sobre os estoques permanece intensa. As reservas em Cushing, o maior centro de armazenamento comercial dos EUA, caíram para cerca de 20 milhões de barris, um nível considerado mínimo operacional pelos operadores do mercado.
Decisão política e perspectivas
Na quarta-feira, o presidente Trump sinalizou que o risco de uma grande crise econômica desempenhou um papel fundamental em sua decisão de cancelar a guerra. Uma escalada militar poderia ter causado uma depressão internacional, disse ele. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que as sanções dos EUA ao petróleo devem ser suspensas imediatamente agora.
Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, comentou que a parte fácil foi chegar a um acordo; a parte mais difícil é determinar quanto da perturbação dos últimos meses se tornará permanente. Os mercados tendem a presumir que uma reabertura significa um reinício, mas algumas das mudanças ocorridas durante a perturbação podem perdurar mais do que se espera.



