O petróleo Brent registrou alta superior a 7% no after market nesta quarta-feira, após os Estados Unidos lançarem uma nova onda de ataques contra o Irã. O movimento elevou o barril para patamares acima de US$ 90, refletindo o temor de interrupções no fornecimento da região do Estreito de Ormuz.
Contexto dos ataques e reação do mercado
Os EUA anunciaram o fim da nova onda de ataques, mas o Estreito de Ormuz segue sob ameaça, segundo autoridades americanas. O Irã é um dos maiores produtores de petróleo da Opep, e qualquer instabilidade na região pode afetar o fluxo de cerca de 20% do petróleo mundial que passa pelo estreito.
O contrato futuro do Brent para setembro fechou em US$ 92,35, alta de 7,2% no after market. O West Texas Intermediate (WTI) também subiu, ultrapassando US$ 88.
Impacto sobre empresas brasileiras
A alta do petróleo tem efeitos diretos sobre ações de empresas do setor no Brasil. A Petrobras (PETR4) subiu 3,5% no pregão regular, enquanto PRIO (PRIO3) avançou 4,2% e PetroReconcavo (RECV3) ganhou 5,1%. Analistas consultados pelo InfoMoney avaliam que o cenário de tensão geopolítica pode sustentar os preços elevados por semanas, beneficiando as petroleiras.
Por outro lado, setores como aviação e transportes sofrem com o aumento do custo do combustível. A Azul (AZUL4) caiu 2,1% no dia, enquanto a Gol (GOLL4) recuou 1,8%.
Reação de especialistas
Segundo relatório do Goldman Sachs, “cada aumento de US$ 10 no barril do petróleo pode reduzir o PIB global em 0,2% no curto prazo”. O banco elevou sua projeção para o Brent no terceiro trimestre de US$ 85 para US$ 95.
O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, afirmou ao InfoMoney: “O impacto no Brasil é misto. Por um lado, a Petrobras ganha com a alta; por outro, a inflação de custos pressiona a economia como um todo.”
Próximos passos
Investidores monitoram possíveis retaliações do Irã e reuniões de emergência da Opep. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nos próximos dias para discutir a escalada. Enquanto isso, o mercado de petróleo deve continuar volátil, com riscos de novos picos caso o Estreito de Ormuz seja fechado.



