Uma investigação da Polícia Civil do Paraná detalhou a tentativa de socorro de vizinhos durante o feminicídio de Suelen Cristina Cordeiro, de 31 anos, ocorrido em Guarapuava, na região central do estado. O crime aconteceu na noite de 27 de junho, um sábado, no Bairro Boqueirão, e o inquérito foi concluído nesta terça-feira (7). O suspeito, Anderson José da Fonseca, foi preso em flagrante.
Vizinhos ouviram gritos e tentaram entrar
Câmeras de segurança registraram a movimentação dos moradores. Após ouvirem brigas e gritos de socorro, vizinhos foram até a residência e tentaram entrar, mas as portas estavam trancadas. Minutos depois, Anderson saiu segurando uma faca, discutiu com as testemunhas e fugiu, deixando a casa trancada. Imagens de um bar próximo mostram que ele retornou ao estabelecimento, onde foi localizado e preso pela polícia.
Agressões duraram pelo menos seis minutos
A delegada Ana Hass de Miranda afirmou: “Deduzimos que essas agressões tenham durado pelo menos seis minutos no interior da residência, de portas fechadas, enquanto testemunhas tentavam a todo tempo acessar a residência, já sabendo que estava acontecendo ali uma agressão bastante grave.”
Relacionamento marcado por violência
Testemunhas relataram à polícia que Anderson e Suelen tinham um relacionamento conturbado, com várias brigas e agressões. A delegada destacou que havia relatos de restrição de liberdade da vítima, que teria sido sedada mediante medicamentos e torturada com chutes e baldadas de água. “Situações bastante complexas, mas que infelizmente nunca chegaram ao conhecimento das autoridades”, lamentou.
Defesa do suspeito
Em nota, as advogadas Andreia Farias e Rosangela Gomiero, que atuam na defesa de Anderson, expressaram solidariedade à família da vítima e afirmaram que a investigação está em estágio embrionário. “Qualquer juízo de valor ou conclusão precipitada neste momento é prematuro e pode comprometer a busca pela verdade real. Nos manifestaremos apenas após o acesso integral aos autos do inquérito policial, aos laudos da Polícia Científica e aos depoimentos formais”, disseram.
Canais de denúncia
A Polícia Civil reforça que denúncias de violência doméstica podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197 (Polícia Civil) ou 181 (Disque-Denúncia). Em casos de perigo iminente, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.



