Petróleo fecha abaixo de US$ 90 apesar de tensões no Oriente Médio
Petróleo abaixo de US$ 90 mesmo com tensões no Oriente

O petróleo Brent, referência global, fechou nesta quinta-feira (30) abaixo da marca de US$ 90 pela primeira vez em três semanas, cotado a US$ 89,75 o barril, uma queda de 1,2% em relação ao dia anterior. O recuo ocorre em meio a tensões elevadas no Oriente Médio, incluindo ataques a navios no Mar Vermelho e o impasse nas negociações de cessar-fogo em Gaza.

Cenário geopolítico mantém pressão sobre oferta

Os ataques dos rebeldes houthis do Iêmen a embarcações comerciais no Mar Vermelho continuam a forçar rotas alternativas, aumentando custos e prazos de entrega. Segundo analistas do banco Goldman Sachs, "o risco de interrupção no fluxo de petróleo do Oriente Médio permanece elevado, mas o mercado está descontando uma probabilidade menor de escalada para uma guerra regional".

Apesar da queda no preço do barril, o mercado ainda reflete um prêmio de risco de cerca de US$ 5 a US$ 8, estima a consultoria Energy Aspects. "Os fundamentos de oferta e demanda não justificam preços acima de US$ 85, mas a geopolítica tem sustentado um piso artificialmente alto", afirmou o analista-chefe da corretora Mizuho, Robert Yawger.

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Dados de estoques e produção nos EUA

Contribuiu para o movimento de baixa o relatório semanal do Departamento de Energia dos EUA, que apontou aumento de 3,2 milhões de barris nos estoques de petróleo bruto americano, superando as expectativas de uma alta de 1 milhão de barris. A produção doméstica nos EUA permaneceu estável em 13,3 milhões de barris por dia, perto do recorde histórico.

A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para cima sua previsão de crescimento da demanda global em 200 mil barris por dia para 2026, mas alertou que "a incerteza macroeconômica, especialmente na China e na Europa, pode limitar ganhos adicionais de preço".

Impactos para importadores brasileiros

Para o Brasil, que importa cerca de 20% do petróleo consumido internamente, a estabilidade abaixo de US$ 90 alivia a pressão sobre a balança comercial e sobre os preços dos combustíveis. A Petrobras, que adota a política de paridade de importação, pode reduzir reajustes futuros. "Se o Brent se mantiver nesse patamar por mais algumas semanas, há espaço para queda na gasolina e no diesel", disse o economista do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Pedro Rodrigues.

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