Oxfam questiona dados da OCDE sobre finanças climáticas
Oxfam questiona dados da OCDE sobre clima

A organização não governamental Oxfam divulgou um relatório nesta quinta-feira (24) questionando a precisão dos dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o financiamento climático fornecido por países ricos a nações em desenvolvimento. Segundo a Oxfam, os valores reportados pela OCDE superestimam em até 30% as contribuições reais, inflando o montante de ajuda destinada a ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Metodologia da OCDE sob escrutínio

O relatório da Oxfam analisou os números divulgados pela OCDE referentes a 2024, quando os países desenvolvidos afirmaram ter mobilizado US$ 89,6 bilhões em financiamento climático. A Oxfam argumenta que, após ajustes contábeis, o valor real seria de aproximadamente US$ 62,7 bilhões. A diferença decorre, segundo a ONG, da inclusão de empréstimos a taxas de mercado, que não configuram doação efetiva, e de projetos com benefícios climáticos secundários.

“Os países ricos estão usando truques contábeis para inflar suas contribuições. O financiamento climático real é muito menor do que o divulgado, o que compromete a confiança nas negociações globais sobre o clima”, afirmou Tracy Carty, especialista em justiça climática da Oxfam. A OCDE defende sua metodologia, afirmando que segue padrões internacionais acordados.

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Impacto nas negociações climáticas

A controvérsia ocorre em meio às discussões para a definição de uma nova meta global de financiamento climático pós-2025, que deve ser anunciada na COP30, em Belém, em novembro. Países em desenvolvimento pressionam por transparência e por um compromisso real de US$ 1 trilhão por ano. A Oxfam alerta que, se os dados forem superestimados, as metas futuras podem ser baseadas em números irreais, prejudicando os países mais vulneráveis.

O Brasil, que sediará a COP30, tem defendido a necessidade de responsabilidade e clareza nos fluxos financeiros. O governo brasileiro não comentou diretamente o relatório, mas fontes do Ministério do Meio Ambiente indicam que o país acompanha com atenção as discussões sobre a contabilização dos recursos.

Reações e próximos passos

A OCDE, em nota, rejeitou as acusações e afirmou que seus relatórios são auditados e transparentes. “Nossos números refletem o esforço conjunto dos países membros e são calculados com base em regras acordadas multilateralmente”, disse a organização. A Oxfam, no entanto, pede uma revisão independente dos dados e a adoção de critérios mais rigorosos para evitar a supercontabilização.

O debate deve ganhar força na próxima reunião do G20, em setembro, e na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), onde o financiamento climático será um dos temas centrais. A expectativa é que a pressão por maior transparência aumente, especialmente diante da necessidade de mobilizar recursos significativos para enfrentar a crise climática.

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