O contrato mais líquido do ouro encerrou em ligeira alta nesta segunda-feira, 27, à medida que investidores acompanhavam de perto as tensões geopolíticas no Oriente Médio e se preparavam para a decisão de juros do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira, 29. O metal precioso encontrou suporte em sinais de desescalada entre Estados Unidos e Irã, que aliviaram os preços do petróleo e moderaram o impulso do dólar e dos rendimentos dos Treasuries, abrindo espaço para valorização do ativo.
Tensões no Oriente Médio e impactos nos mercados
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto fechou em alta de 0,15%, a US$ 4.077,0 por onça-troy. Já a prata para setembro recuou 0,33%, a US$ 58,712 por onça-troy. O movimento ocorre em um contexto de declarações conciliatórias entre as partes envolvidas no conflito. No domingo, o Irã afirmou que interromperá seus próprios ataques desde que os Estados Unidos façam o mesmo. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o Irã solicitou uma reunião por meio de intermediários e que Washington está mantendo “boas conversas” com o país persa. “Vamos ver o que acontece”, disse Trump. “Irã quer se reunir e nós vamos nos reunir. Há uma chance de chegarmos a um acordo”, enfatizou.
Perspectiva do mercado e análise de especialistas
“O arrefecimento das tensões geopolíticas reduziu as preocupações com a inflação e pode diminuir a pressão sobre o Fed para apertar ainda mais a política monetária, o que dá suporte ao ouro no curto prazo”, acrescenta Soojin Kim, analista do MUFG. O ING, por sua vez, acredita que o banco central americano deve manter as taxas inalteradas na reunião de quarta-feira, mas a oposição do presidente da instituição, Kevin Warsh, à orientação futura (forward guidance) pode encorajar os mercados a manter dólares como proteção contra surpresas. Trump salientou que Warsh é “ótimo” e que ele fará a “coisa certa”, embora haja um conselho para votar também.
Atenção volta-se para o Fed
Nesta semana, o foco dos investidores está na decisão de juros do Fed, amplamente esperada como uma manutenção das taxas. No entanto, as sinalizações sobre os próximos passos da autoridade monetária serão monitoradas de perto, especialmente em relação ao combate à inflação e ao ritmo de aperto monetário. A combinação de um cenário geopolítico menos tenso e a perspectiva de juros estáveis tem beneficiado o ouro, que é visto como uma reserva de valor em tempos de incerteza.
Além disso, o movimento do dólar e dos juros dos Treasuries influencia diretamente a atratividade do metal. Com a desaceleração das tensões, o dólar perdeu parte de seu impulso de alta, enquanto os rendimentos dos títulos de longo prazo recuaram, reduzindo o custo de oportunidade de manter ouro. Analistas apontam que, se o Fed sinalizar uma postura mais dovish, o ouro pode encontrar suporte adicional.
Perspectivas para o curto prazo
O cenário atual sugere que o ouro pode continuar a se valorizar no curto prazo, especialmente se as negociações entre EUA e Irã avançarem e o Fed reiterar uma postura cautelosa. No entanto, riscos permanecem, como a possibilidade de um novo aumento das tensões ou surpresas na comunicação do Fed. A prata, por sua vez, acompanhou o movimento do ouro, mas com leve queda, refletindo sua maior sensibilidade a mudanças na demanda industrial.



