O índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos caiu 0,1% em junho na comparação mensal, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento de Comércio. Na base anual, o indicador avançou 3,7%, desacelerando em relação ao mês anterior, quando registrara alta de 3,8%.
Núcleo do PCE
O núcleo do PCE, que exclui os voláteis preços de alimentos e energia, subiu 0,2% em junho ante maio e acumulou alta de 4,1% nos últimos 12 meses. Esse é o índice preferido pelo Federal Reserve (Fed) para calibrar a política monetária, e o resultado ficou dentro do esperado por analistas.
Os dados reforçam a percepção de que a inflação nos EUA está sob controle, ainda que acima da meta de 2% do Fed. A queda mensal no índice cheio foi puxada principalmente pela redução nos preços de energia, que caíram 2,5% no mês. Já os preços de serviços subiram 0,3% em junho.
Impacto na Política Monetária
O relatório do PCE é um dos mais monitorados pelo Fed para decidir os rumos dos juros. Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento, cresce a aposta de que o banco central americano manterá a taxa básica inalterada na próxima reunião, em setembro. O mercado futuro de juros hoje precifica uma probabilidade de 85% de manutenção dos juros no patamar atual de 5,25% a 5,50%.
Economistas destacam que, embora a inflação anual ainda esteja elevada, a tendência de desaceleração é consistente. O núcleo do PCE, que em janeiro estava em 4,7%, recuou para 4,1% em junho. Se essa trajetória se mantiver, o Fed pode começar a considerar cortes nos juros no início de 2025.
Renda e Gastos dos Consumidores
Além dos preços, o relatório mostrou que a renda pessoal dos americanos cresceu 0,3% em junho, ligeiramente abaixo do esperado. Já os gastos com consumo subiram 0,2%, também dentro do previsto. Os números indicam que o consumidor americano continua sustentando a economia, mas com menor ímpeto.
A taxa de poupança pessoal caiu para 3,6% em junho, de 3,9% em maio, sugerindo que os consumidores estão usando mais de suas economias para manter o padrão de consumo. Esse movimento, porém, pode ser insustentável no longo prazo e gerar desaceleração econômica no quarto trimestre.
Reação dos Mercados
Os mercados financeiros reagiram positivamente aos dados. O dólar enfraqueceu ante uma cesta de moedas, e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano caíram, com a taxa da nota de 10 anos recuando para 4,12%. As bolsas de Nova York operam em alta, com o S&P 500 subindo 0,4% no início da tarde.
A leitura geral é de que a economia americana caminha para um pouso suave, com inflação cedendo sem recessão. No entanto, alertas sobre a persistência da inflação de serviços e os riscos geopolíticos ainda mantêm o Fed em alerta. O próximo dado importante será o relatório de emprego (payroll) de julho, na próxima semana.



