O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira se reuniram nesta quinta-feira para avaliar o impacto da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A taxa, anunciada pelo governo americano, exclui itens como carne e suco de laranja, mas abrange uma ampla gama de exportações do Brasil. O Palácio do Planalto emitiu nota repudiando a medida e afirmou que acionará os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para retaliar.
Reunião de emergência no Planalto
Durante o encontro, Lula e Mauro Vieira analisaram os setores mais afetados e as possíveis contramedidas. A tarifa de 25% entra em vigor em 22 de julho e resulta de uma investigação do governo americano sobre práticas comerciais brasileiras, incluindo o uso do sistema de pagamentos Pix e questões ambientais relacionadas ao desmatamento na Amazônia. Segundo fontes do governo, a decisão dos EUA foi considerada desproporcional e baseada em critérios questionáveis.
Repúdio e Lei de Reciprocidade
O Palácio do Planalto declarou que “repudia veementemente” a tarifa unilateral. Em nota oficial, o governo brasileiro anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade, sancionada em 2023, que permite ao Brasil impor barreiras comerciais equivalentes a países que adotarem medidas protecionistas contra produtos nacionais. A lei prevê a aplicação de sobretaxas, cotas ou outras restrições. O ministro da Economia também participou das discussões e estima que a tarifa pode reduzir as exportações brasileiras em até US$ 5 bilhões no primeiro ano.
Críticas à família Bolsonaro
Em um gesto incomum, o Planalto também criticou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, associando a medida americana a “influências políticas de setores alinhados ao ex-presidente”. A nota afirma que “a política externa do governo anterior contribuiu para o enfraquecimento da imagem do Brasil no exterior, facilitando sanções como esta”. A oposição reagiu classificando a declaração como “oportunista e desrespeitosa”.
Impacto econômico e setores afetados
Os setores mais impactados pela tarifa de 25% incluem aço, alumínio, calçados, têxteis e produtos químicos. Carne bovina e suco de laranja foram excluídos da lista, aliviando parcialmente o agronegócio. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 12% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas. O governo brasileiro estuda retaliar com tarifas sobre produtos americanos como milho, trigo e veículos, além de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Próximos passos
O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil buscará uma solução negociada, mas não descarta medidas mais duras caso os EUA não recuem. “Estamos abertos ao diálogo, mas não aceitaremos imposições unilaterais que prejudiquem nossa economia”, declarou. A expectativa é que Lula se reúna com o presidente americano nas próximas semanas para discutir o tema. Enquanto isso, a Lei de Reciprocidade deve ser aplicada gradualmente a partir de agosto.



