A inflação anual da zona do euro desacelerou para 2,8% em junho, ante 3,1% em maio, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. O resultado veio ligeiramente abaixo da expectativa de analistas consultados pela Reuters, que previam 2,9%.
Núcleo da inflação também recua
A chamada inflação subjacente, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, caiu de 3,8% em maio para 3,6% em junho. Esse indicador é acompanhado de perto pelo Banco Central Europeu (BCE) para decisões de política monetária.
Os preços de serviços, que vinham pressionando a inflação, desaceleraram para 4,1% em junho, ante 4,3% no mês anterior. Já os preços de alimentos processados, álcool e tabaco caíram de 3,5% para 3,3%.
Impacto nos juros e na economia
A desaceleração da inflação reforça as expectativas de que o BCE possa iniciar um ciclo de cortes na taxa de juros ainda neste ano. A taxa básica de juros da zona do euro está atualmente em 4,25%, nível mais alto desde 2008.
“A inflação está se movendo na direção certa, mas ainda há trabalho a fazer”, disse o presidente do BCE, Christine Lagarde, em discurso recente. “Precisamos ver mais evidências de que a inflação está convergindo para nossa meta de 2% antes de afrouxar a política.”
Alemanha e França puxam queda
Entre as maiores economias do bloco, a Alemanha registrou inflação de 2,5% em junho, ante 2,8% em maio. Na França, o índice caiu de 2,6% para 2,5%. Já a Itália viu sua inflação recuar de 3,2% para 3,0%.
A Espanha foi exceção, com a inflação subindo de 3,4% para 3,5%, impulsionada por preços de serviços e turismo.
Perspectivas
Analistas do mercado financeiro projetam que a inflação na zona do euro continue desacelerando nos próximos meses, mas alertam para riscos como pressões salariais e preços de energia. O BCE deve manter a taxa de juros inalterada na reunião de julho, mas pode sinalizar um corte para setembro.
“A economia da zona do euro está mostrando sinais de desaquecimento, e a inflação mais baixa dá espaço para o BCE agir”, afirmou Carsten Brzeski, economista-chefe do ING para a Alemanha e a Áustria. “No entanto, o banco central deve permanecer cauteloso para não reacender a inflação.”



