Tarifaço dos EUA: Flávio Bolsonaro tenta culpar Lula, mas pesquisa mostra desgaste
Tarifaço dos EUA: Flávio Bolsonaro tenta culpar Lula

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou na quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com extensa lista de itens isentos. A medida, que entra em vigor em 22 de julho, é resultado de uma investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano combater supostas barreiras comerciais em outros países.

Interlocutores do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) torciam por um adiamento do novo tarifaço. Caso a medida fosse adiada, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já tinha o discurso pronto: teria conseguido evitar o tarifaço após conversar com a equipe de Donald Trump e com o próprio presidente norte-americano. O plano foi registrado em carta enviada pelo senador ao governo dos EUA, mas não saiu como desejado.

Flávio Bolsonaro busca atribuir responsabilidade a Lula

Agora, Flávio Bolsonaro busca divulgar que o tarifaço é de responsabilidade do presidente Lula. Em diversos pronunciamentos nas redes sociais, o senador defendeu que a decisão norte-americana resulta de falhas na capacidade de negociação do atual governo. Ele respondeu a uma publicação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual o norte-americano defende que as políticas do governo brasileiro são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros" e acusa Lula de não negociar de boa-fé.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Pesquisa Quaest mostra desgaste maior para Flávio Bolsonaro

O eleitorado, no entanto, não enxerga dessa forma. A pesquisa Quaest registrou que a maioria dos brasileiros avalia o tarifaço como ruim para o país e fica ao lado do presidente Lula no tema. O levantamento também mostrou que o tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula e diminui em relação ao pré-candidato do PL.

Questionados sobre quem teria motivado o tarifaço — se Flávio Bolsonaro, ao pedir a Trump a sanção contra o Brasil, como acusa Lula, ou se o próprio Lula, ao provocar os Estados Unidos, como alega Flávio —, 51% concordam com a versão de Lula e 30% com a de Flávio.

O mesmo padrão aparece quando o tema é o motivo das tarifas: 49% concordam com Lula de que a medida seria retaliação ao Pix; contra 33% que aceitam a versão de Flávio de que as tarifas seriam resposta a declarações do presidente contra os EUA. Em junho, a diferença era de 46% a 36%.

Aliados de Flávio reconhecem desgaste

Reservadamente, aliados de Flávio Bolsonaro reconhecem que o tema mais desgasta o senador e que o ideal é que o assunto saia do noticiário o mais rápido possível. No entanto, ele voltará na campanha, porque será explorado pela equipe do presidente Lula.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar