Inflação na zona do euro desacelera para 2,8% em junho, abaixo do esperado
Inflação na zona do euro cai a 2,8% em junho

A inflação na zona do euro desacelerou em junho muito mais do que o esperado, aliviando a pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE) para aumentar novamente as taxas de juros ainda neste mês. O índice geral de preços ao consumidor nos 21 países que utilizam o euro recuou para 2,8% em junho, ante 3,2% em maio, ficando bem abaixo da expectativa de 3,0% dos analistas. A desaceleração foi impulsionada pela queda nos preços de alimentos, energia e serviços.

Inflação subjacente também cai

O indicador de inflação subjacente, que exclui preços voláteis de alimentos e combustíveis, recuou de 2,6% para 2,4%, à medida que a inflação de serviços caiu de 3,5% para 3,2%. Embora o dado de junho ainda esteja bem acima da meta de 2% do BCE, a recente queda nos preços do petróleo, impulsionada por apostas em um acordo de paz no Oriente Médio, aumentou as expectativas de que as pressões sobre os preços diminuam daqui em diante e que os danos mais amplos decorrentes da alta da energia permaneçam limitados.

BCE pode adotar postura paciente

Diversas autoridades do BCE afirmaram que não há pressa para dar continuidade ao aumento de 0,25 ponto percentual da taxa de juros de junho com outro movimento neste mês. Elas podem esperar para ver como as pressões evoluem. O BCE está especialmente preocupado com a possibilidade de que o choque energético inicial comece a elevar os preços de outros bens e serviços, acabando por elevar também os salários. No entanto, esses efeitos de segunda ordem sobre os preços ainda não se concretizaram e as pressões salariais também não estão se acelerando, o que reforça o argumento a favor da paciência.

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Próximos passos: nova alta em setembro ou outubro?

Ainda assim, a grande maioria dos economistas e investidores acredita que é provável que o BCE aumente os juros novamente em setembro ou outubro, mesmo que haja uma pausa em julho. Isso porque os preços da energia ainda permanecem muito acima dos níveis pré-guerra e o conflito no Oriente Médio pode sofrer mais uma reviravolta inesperada. Há também preocupações de que a escassez de fertilizantes do Oriente Médio e uma onda de calor na Europa possam reduzir o rendimento das safras e exercer alguma pressão de alta sobre os preços dos alimentos, elevando a inflação justamente quando os custos da energia estão diminuindo.

A próxima decisão do BCE sobre a política monetária está marcada para 23 de julho.

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