Impulso fiscal dobra e pressiona inflação e Selic, aponta FGV
Impulso fiscal dobra e pressiona inflação e Selic

O impulso fiscal no Brasil mais que dobrou nos últimos três meses, ampliando as pressões sobre a inflação e a taxa básica de juros (Selic), de acordo com estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador, que mede o impacto das políticas fiscais sobre a demanda agregada, passou de 0,5% do PIB no primeiro trimestre para 1,2% no segundo trimestre de 2025, o maior nível desde o início da série histórica em 2010.

O que é o impulso fiscal?

O impulso fiscal é calculado com base na variação do resultado primário estrutural do setor público. Quando positivo, indica que a política fiscal está expansionista, ou seja, estimulando a economia por meio de gastos ou cortes de impostos. O aumento expressivo nos últimos meses reflete principalmente a aceleração dos gastos públicos e a ampliação de subsídios, segundo a FGV.

Impacto sobre a inflação e a Selic

O próprio Banco Central já vinha monitorando a expansão fiscal como um dos riscos para a convergência da inflação à meta. Com o novo dado, o mercado projeta que a Selic, atualmente em 10,50% ao ano, possa subir para 11,25% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto. “O impulso fiscal é um sinal claro de que a política fiscal não está ajudando o Banco Central no combate à inflação”, afirmou o economista-chefe da FGV, João Paulo Alves. “Pelo contrário, está dificultando esse trabalho.”

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Reações do mercado

Após a divulgação do estudo, as taxas dos contratos futuros de juros subiram em toda a curva, com o DI para janeiro de 2026 avançando para 11,5%. O Ibovespa teve leve queda, pressionado por ações de consumo e varejo, setores mais sensíveis a juros altos. Analistas do Itaú BBA afirmaram em relatório que “o dado da FGV reforça o cenário de juros altos por mais tempo, o que pode atrasar a recuperação econômica esperada para o segundo semestre.”

Perspectivas

A FGV ressalta que o impulso fiscal tende a se manter elevado no segundo semestre, caso o governo mantenha o ritmo de gastos. O resultado primário do setor público consolidado, que estava próximo do equilíbrio, pode voltar a apresentar déficit. “A política fiscal expansionista é incompatível com a meta de inflação no longo prazo”, concluiu Alves. O ministro da Fazenda, em nota, defendeu que os gastos são temporários e direcionados a áreas prioritárias, mas não apresentou uma previsão de reversão.

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