Conflito eleva arrecadação e surpreende mercado
O conflito no Oriente Médio, que se intensificou nos últimos meses, gerou um efeito colateral positivo para as contas públicas brasileiras: a alta do preço do petróleo elevou as receitas do governo, contribuindo para um resultado primário melhor do que o esperado. Dados do Tesouro Nacional, divulgados nesta segunda-feira, mostram que o superávit primário do setor público consolidado atingiu R$ 45,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, ante uma previsão de déficit de R$ 10 bilhões no início do ano.
Petrobras e tributos impulsionam receitas
A estatal Petrobras, maior produtora de petróleo do país, viu seu lucro disparar com o barril do Brent ultrapassando os US$ 120. Com isso, os dividendos pagos ao governo — que detém a maioria das ações com direito a voto — saltaram 80% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, a arrecadação de tributos sobre a exportação de petróleo bruto e derivados cresceu 35%, segundo a Receita Federal. "Cada dólar de alta no petróleo representa cerca de R$ 2 bilhões adicionais aos cofres públicos", explica o economista-chefe de uma consultoria, que preferiu não se identificar.
Impacto no cumprimento da meta fiscal
O resultado primário melhorou também porque o governo conseguiu conter despesas discricionárias, mas o principal motor foi o aumento das receitas ligadas ao petróleo. O Ministério do Planejamento informou que, mantido o cenário atual, a meta de déficit zero para 2026 está ao alcance. No entanto, alertou que a dependência de receitas voláteis, como as do petróleo, pode trazer riscos caso o conflito se desescalone. "O superávit é bem-vindo, mas não é estrutural", ponderou o secretário do Tesouro Nacional.
Efeitos secundários e riscos
A melhora fiscal permite ao governo maior espaço para investimentos e para recompor o orçamento de áreas como saúde e educação. Por outro lado, a inflação causada pelo aumento dos combustíveis pressiona o Banco Central a manter juros altos, o que pode frear a economia. "O efeito positivo nas contas públicas não compensa o custo social da carestia", alerta a Associação Brasileira de Economistas. O cenário global permanece incerto, e qualquer trégua no Oriente Médio pode reverter rapidamente o ganho fiscal.



