O historiador e economista Niall Ferguson, conhecido por obras como "A ascensão do dinheiro" e professor da Universidade Stanford, afirmou que o Brasil está recebendo um "choque adicional" em sua economia devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã, que ele classifica como a "Terceira Guerra do Golfo". A declaração foi feita durante um evento em São Paulo.
Fechamento do Estreito de Ormuz ameaça economia global
Ferguson destacou que o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, pode desencadear uma grave crise econômica na América Latina. "O Brasil, que já enfrenta desafios fiscais e de crescimento, sofrerá um impacto adicional com a alta dos preços do petróleo e a interrupção do comércio internacional", afirmou o historiador.
Crise da dívida na América Latina é risco real
Segundo Ferguson, a combinação do aumento do preço do petróleo com a instabilidade geopolítica pode provocar "uma crise da dívida na América Latina". Ele alertou que países da região, incluindo o Brasil, são particularmente vulneráveis devido ao alto endividamento e à dependência de commodities. "O cenário é preocupante, e as consequências podem ser sentidas em toda a economia global", completou.
Estratégia de Washington é criticada
O historiador também criticou a estratégia do governo dos Estados Unidos em relação ao Irã. "A abordagem de Washington tem sido inconsistente e contribuiu para a escalada do conflito", disse Ferguson. Ele apontou que o novo governo iraniano está utilizando drones e mísseis de forma mais agressiva, o que aumenta os riscos para a estabilidade regional e global.
Impacto direto no Brasil
Para o Brasil, o "choque adicional" mencionado por Ferguson se soma a problemas internos como inflação, juros altos e baixo crescimento. O aumento do preço do petróleo impacta diretamente os custos de produção e o transporte, pressionando ainda mais a economia brasileira. "Precisamos de uma política econômica robusta para enfrentar esses desafios externos", concluiu o historiador.



