A equipe econômica do governo Lula avalia que um eventual pacote de socorro para mitigar os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve ser pontual, e não um novo programa amplo como o Brasil Soberano, lançado em 2025. A avaliação foi feita após reuniões internas no Ministério da Fazenda, que consideram o impacto macroeconômico reduzido devido à rápida adaptação do mercado e às exceções já previstas na medida americana.
Medidas pontuais e setores mais afetados
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo está monitorando os setores mais expostos às tarifas, como o de aço, alumínio e carne. "Não há necessidade de um pacote generalizado. Vamos atuar de forma cirúrgica, onde houver maior risco de emprego e renda", disse Durigan em entrevista coletiva. A equipe econômica trabalha com a hipótese de que o tarifaço terá efeito limitado sobre o PIB brasileiro, estimado em menos de 0,1 ponto percentual.
Comparação com o Brasil Soberano
O programa Brasil Soberano, lançado em 2025, foi um pacote de R$ 150 bilhões em subsídios e linhas de crédito para enfrentar a guerra comercial entre China e EUA. Desta vez, o cenário é diferente: as tarifas americanas são mais restritas e o Brasil já diversificou seus parceiros comerciais. "O Brasil Soberano foi uma resposta a um choque global. Agora, temos um choque setorial, que exige ferramentas mais precisas", explicou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.
Próximos passos
O Ministério da Fazenda deve anunciar nas próximas semanas medidas como linhas de crédito do BNDES e desonerações fiscais temporárias para os setores mais impactados. A decisão final, no entanto, depende da evolução das negociações comerciais com os EUA. "Se houver escalada, podemos rever a estratégia, mas hoje acreditamos que o mercado já se ajustou", completou Durigan.



