Governo adia decisão sobre subsídios da gasolina até julho
Governo adia decisão sobre subsídios da gasolina até julho

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve aguardar até o fim de julho para decidir sobre a reversão dos subsídios que atualmente reduzem o preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. A informação foi divulgada pela secretária de Política Econômica, Débora Freire, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (15). A decisão está condicionada à evolução do cenário internacional, especialmente a volatilidade dos preços do petróleo e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Subsídios vigentes e impacto nos preços

Atualmente, a subvenção federal concede R$ 0,44 por litro de gasolina, R$ 1,12 por litro de diesel e R$ 11 por botijão de 13 quilos de gás de cozinha. Esses valores foram estabelecidos em maio, como medida para conter a alta dos combustíveis e aliviar o bolso do consumidor. Segundo Débora Freire, a manutenção ou reversão dos subsídios dependerá da estabilidade do preço do petróleo, que gira em torno de US$ 80 o barril. "Precisamos de cautela e monitoramento constante. O cenário internacional é incerto, e qualquer decisão precipitada pode gerar pressão inflacionária ou desabastecimento", afirmou a secretária.

Contexto internacional e pressões internas

A decisão ocorre em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, que afetam a oferta global de petróleo. O governo avalia que a reversão dos subsídios só será viável se os preços internacionais se mantiverem estáveis ou em queda. Caso contrário, a medida poderia elevar a gasolina para mais de R$ 6 por litro nos postos, impactando a inflação e a popularidade do governo. Internamente, setores do PT pressionam pela manutenção dos subsídios até o fim do ano, enquanto a equipe econômica defende o ajuste fiscal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou que a reversão é necessária para equilibrar as contas públicas, mas sem data definida.

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Impacto no orçamento e próximos passos

O custo mensal dos subsídios é estimado em cerca de R$ 3 bilhões, com impacto direto no resultado primário. A equipe econômica aguarda os dados de arrecadação de junho para calibrar a decisão. Enquanto isso, a Petrobras mantém sua política de preços alinhada ao mercado internacional, sem interferência direta do governo. A expectativa é que, se os preços do petróleo permanecerem abaixo de US$ 85, o governo possa iniciar a reversão gradual a partir de agosto. Débora Freire concluiu: "Estamos monitorando diariamente. A decisão será técnica, baseada em dados, e comunicada com transparência à sociedade."

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