O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o ruído gerado pela comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) após a redução da taxa Selic para 14,25% foi resultado de um "excesso de explicação" na tentativa de ser transparente. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 25 de junho de 2026, em Brasília.
Decisão do Copom e reação do mercado
Na última reunião, o Copom decidiu reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano. O comunicado divulgado após a decisão, no entanto, foi recebido com ruídos pelo mercado financeiro, que interpretou as sinalizações de forma divergente. Galípolo explicou que o comitê buscou detalhar as projeções e os cenários, mas o excesso de informações acabou gerando confusão.
"Houve um excesso de explicação. Tentamos ser muito transparentes, mas isso acabou criando ruído. A mensagem central é clara: estamos comprometidos com a convergência da inflação para a meta", disse o presidente do BC.
Projeções de inflação e próximos passos
Apesar de a inflação estar projetada acima da meta de 3%, o Banco Central prevê convergência para 3,2% no primeiro trimestre de 2028. Galípolo destacou que o próximo Copom, marcado para agosto, ainda não tem diretrizes definidas e dependerá dos dados econômicos que serão divulgados até lá.
"A próxima reunião será em agosto, e as decisões serão tomadas com base na evolução da economia. Não há compromisso prévio com nenhum ritmo de ajuste", afirmou.
Comunicação como ferramenta de política monetária
Galípolo ressaltou a importância da comunicação para a eficácia da política monetária, mas admitiu que o excesso de detalhes pode ser contraproducente. "Estamos aprendendo a calibrar a comunicação. O importante é que o mercado entenda nossa determinação em cumprir a meta de inflação", completou.
O presidente do BC também reiterou que a instituição segue vigilante e que novas medidas podem ser adotadas caso a inflação não mostre sinais de convergência.



