Zema rejeita ser vice de Flávio Bolsonaro e critica atuação do STF
Zema rejeita ser vice de Flávio Bolsonaro e critica STF

BRASÍLIA - Um dos principais expoentes da direita brasileira nos últimos anos, o presidenciável e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) reafirmou, em entrevista ao Papo com Editor, do Estadão/Broadcast, as críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Disse que não poderia “aplaudir alguém que se aproximou do maior banqueiro bandido da história do Brasil” e descartou ser vice do senador. Também rejeitou uma composição com Ronaldo Caiado (PSD) e afirmou que anunciará em breve seu companheiro de chapa.

Pesquisas e estratégia de campanha

Com 2% das intenções de voto, segundo o Datafolha, Zema aposta em crescimento na reta final da campanha. “É igual um cardápio de restaurante, ninguém pede cardápio com antecedência, é quando chega no restaurante que vai estar avaliando. Então, vou continuar a minha pré-campanha e campanha até o final”, afirmou.

Zema minimizou “desavenças” com integrantes de seu partido após as duras críticas a Flávio Bolsonaro no caso Master. “Para mim, quem se aproximou do banqueiro bandido, eu não vou aplaudir, e mantenho essa mesma postura. Estou muito confiante, muito tranquilo, e a postura do Novo é combater a corrupção, é ter e apoiar candidatos ficha limpa. Então eu estou dentro desse contexto e vamos levar”.

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Plano econômico e privatizações

O ex-governador defendeu seu “plano implacável” de corte de gastos, redução de tributos e privatizações. “Quero fazer com que a Petrobras seja fatiada”, disse. Também propôs um fundo para conter altas dos combustíveis após eventual privatização da estatal.

Ele ainda criticou as gestões do PT, repetiu que o Bolsa Família cria uma “geração de imprestáveis” e prometeu reformar o Judiciário. “Vou reformar principalmente o Supremo. O Supremo nosso se transformou numa aberração”.

Principais trechos da entrevista

O senhor diz não se incomodar por ainda não liderar as pesquisas, lembrando que, na sua primeira eleição ao governo de Minas, a virada ocorreu na semana anterior ao 1º turno após declarar apoio a Jair Bolsonaro. Como pretende repetir o feito depois de ter criticado publicamente o senador Flávio Bolsonaro por sua ligação com Daniel Vorcaro? O que eu falei, está dito. Eu não mudo nada. Eu não poderia aplaudir alguém que se aproximou de uma pessoa que é o maior banqueiro bandido da história do Brasil. E, como você bem disse, eu tive em 2018 uma campanha na qual durante todo o tempo eu fiquei em terceiro, quarto lugar. Eu saí do zero em 2018, ninguém me conhecia, eu nunca tinha sido vereador, nem prefeito, nem deputado estadual, federal, nunca ninguém na minha família tinha disputado uma eleição e, contrariando tudo e todos, nós fomos eleitos. E a virada aconteceu na reta final, nos últimos dias. Eu sempre digo que o brasileiro, e também ocorre no mundo, só vai se antenar, conectar com eleições na véspera. É igual um cardápio de restaurante, ninguém pede cardápio com antecedência, é quando chega no restaurante que vai estar avaliando. Então vou continuar a minha pré-campanha e campanha até o final.

O senhor afirma que manterá sua candidatura até o fim. Mas há especulações de que o Novo possa não aprová-lo na convenção nacional para preservar alianças estaduais com o PL. O senhor teme esse cenário? E, se isso ocorrer, aceitaria ser vice de Flávio Bolsonaro? Houve desavenças do Novo em alguns Estados, e eu falo que desavença ocorre até entre marido e mulher. Dentro de um partido então, nem se fala. E muito em virtude de eu ter adotado uma postura coerente. Para mim, quem se aproximou do banqueiro bandido, eu não vou aplaudir, e mantenho essa mesma postura. Estou muito confiante, muito tranquilo, e a postura do Novo é combater a corrupção, é ter e apoiar candidatos ficha limpa. Então eu estou dentro desse contexto e vamos levar.

Então não há chance nenhuma de o senhor ser vice do Flávio Bolsonaro caso não seja aprovado na convenção? Zema: Nenhuma.

E alguma aliança com o Ronaldo Caiado, talvez? Também está descartado. Inclusive, na semana que vem eu devo estar escolhendo e já publicizando o nome do meu vice.

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Gestão em Minas Gerais como credencial

O senhor apresenta sua gestão em Minas Gerais como credencial para governar o País. Quais são principais resultados concretos que considera replicáveis nacionalmente e quais problemas reconhece que não conseguiu resolver? Eu vendi 118 empresas, participações que o Estado tinha, que era só para dar prejuízo ou servir de cabide de emprego. O patrimônio dos mineiros, as empresas listadas em Bolsa, Copasa e Cemig, valorizaram mais de 300%, mais de R$ 50 bilhões. Levamos para Minas Gerais mais de US$ 100 bilhões de investimentos privados que ajudaram a criar mais de um milhão de empregos formais. E o Estado, que era um grande cemitério de obras abandonadas pelo PT, hospitais, UBSs que não acabavam, mas nós acabamos tudo. Hoje, o mineiro tem uma saúde muito melhor, reformamos mais de 2 mil prédios escolares. Então, se eu for citar tudo, eu não fiz, como muitos políticos fazem, aquela obra marcante. “Ah Isso aqui marcou”. Mas hoje Minas Gerais é um grande canteiro de obras em andamento.

Petrobras e fundo de compensação

Falando de Petrobras, se a empresa for privatizada e uma disparada internacional do petróleo elevar fortemente o preço dos combustíveis, como agora, seu governo deixaria o mercado agir ou adotaria algum mecanismo de proteção ao consumidor? Eu me lembro muito bem de quando o brasileiro só tinha a opção de uma operadora de celular. O que nós fizemos no Brasil, esse avanço, essa privatização, hoje qualquer um que vai comprar celular tem a opção de escolher diversas operadoras, (o que) melhora o serviço, faz o custo cair. E eu quero fazer com que a Petrobras seja fatiada, não vai ser só uma empresa. Eu quero que tenha concorrência aqui. E o que nós precisamos fazer no Brasil, caso a gente queira ter preço do petróleo menos afetado por altas internacionais, é um governo que poupe, e não um governo que gasta mais do que arrecada. Se o Brasil tivesse disciplina fiscal, nós poderíamos ter aqui um fundo para compensar eventuais altas do petróleo. Não é questão de ser estatal ou privada que vai fazer diferença. O que vai fazer diferença é o que eu vou fazer, que é privatizar, cortar gastos em vários pontos, acabar com esse déficit, fazer os juros caírem. Hoje o brasileiro está apertado, não consegue fechar o seu orçamento no fim do mês, por causa desses juros altos que são provocados pela gastança do Lula.

Então, com eventual privatização da Petrobras e se houver disparada do preço do petróleo, a solução seria um fundo para mitigar efeitos? Exatamente. Vai ter um fundo de compensação.

Bolsa Família e mercado de trabalho

Governador, o Bolsa Família já incentiva a entrada no mercado de trabalho. Que evidências sustentam sua proposta de pagar um bônus de R$ 5 mil para quem deixar o benefício por um emprego formal? O senhor não considera essa medida populista? Você querer tirar alguém do Bolsa Família e colocar essa pessoa no mercado de trabalho formal, na minha opinião, não pode ser visto como uma medida populista de forma alguma. Eu venho da economia real, estou sempre conversando com produtores rurais, prefeitos, vereadores, empresários, no Brasil todo. E do Rio Grande do Sul ao Amazonas, eu escuto. Nós estamos criando uma geração de imprestáveis. São jovens com total condição de trabalhar que fazem a opção de receber o Bolsa Família e de fazer bicos eventuais que interessam a eles. Isso faz com que a pessoa nunca se qualifique.

Reforma tributária e redução de impostos

O senhor tem dito que pretende reduzir a alíquota padrão do futuro IVA, o Imposto sobre Valor Agregado, de 28%, como está sendo projetado, para 25%. Para isso, o senhor pretende mexer nos benefícios setoriais? Eu disse que eu quero que nós tenhamos no Brasil uma curva descendente dos impostos. A carga tributária nos últimos anos só tem aumentado. Desde que o PT chegou, se você olhar um gráfico, é só aumento de carga tributária. E agora nós chegamos num limite que não dá para continuar. Eu quero que o governo, a máquina pública, fique mais eficiente pelo menos 1% ao ano e que isso seja repassado para os impostos ao longo do tempo. E benefícios setoriais têm de ser revistos, a economia é dinâmica. Por ora, eu não tenho nenhuma proposta. A proposta que eu tenho é redução de impostos ao longo do tempo. O brasileiro não consegue mais pagar. E isso é colocar a economia com freio de mão puxado, o equivalente no carro. Ninguém hoje está tendo grande estímulo para trabalhar, para investir, com uma carga tributária tão pesada, com juros tão elevados. Então o que eu quero é um Estado mais enxuto.

Reforma do Judiciário e do STF

O senhor vai insistir na reforma do Judiciário, sobretudo do Supremo Tribunal Federal? Vou, sim. Eu tenho sido o pré-candidato que mais critica, até porque não tenho rabo preso, essa farra dos intocáveis. Vou reformar principalmente o Supremo. O Supremo nosso se transformou numa aberração. Ministros que estão lá para fazer negócios pessoais e não para prestar serviço, apesar de já serem muito bem remunerados. O Brasil precisa de uma chacoalhada.