FMI sugere limite de 40% para dívidas em relação à renda
O Fundo Monetário Internacional (FMI) propôs, em relatório divulgado nesta quarta-feira, um teto para o comprometimento da renda com dívidas no Brasil. A recomendação é que as famílias brasileiras não destinem mais de 40% de sua renda mensal ao pagamento de dívidas, incluindo crédito imobiliário, consignado e cartão de crédito. A medida, se adotada, poderia afetar cerca de 30 milhões de famílias, segundo estimativas do próprio FMI.
Detalhes da proposta
O relatório, intitulado "Brasil: Sustentabilidade da Dívida e Inclusão Financeira", sugere que o governo brasileiro implemente um marco regulatório que limite o endividamento das famílias. De acordo com o FMI, atualmente cerca de 40% das famílias brasileiras têm comprometimento acima de 50% da renda com dívidas, o que representa um risco para a estabilidade financeira. A proposta inclui a criação de um cadastro positivo de crédito e a exigência de que os bancos verifiquem a capacidade de pagamento antes de conceder novos empréstimos.
Impacto esperado
"O teto de 40% é um parâmetro internacionalmente reconhecido como seguro para evitar o superendividamento", afirmou Maria Cristina Ferreira, economista-chefe do FMI para a América Latina, em entrevista coletiva. A medida deve reduzir a inadimplência, que atualmente atinge 5,2% das operações de crédito, e aumentar a resiliência do sistema financeiro. No entanto, especialistas alertam que o limite pode restringir o acesso ao crédito para famílias de baixa renda, que já têm pouca margem financeira.
Reações do governo e do mercado
O Ministério da Fazenda ainda não se manifestou oficialmente, mas fontes indicam que a proposta será analisada com cautela. O Banco Central, por sua vez, já estuda medidas para conter o endividamento, mas evita um teto rígido. No mercado, a notícia foi recebida com apreensão: as ações de bancos caíram em média 2,5% nesta quinta-feira, refletindo o temor de redução na concessão de crédito. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que a proposta precisa ser debatida com o setor, pois "um teto abrupto pode prejudicar a oferta de crédito para consumo e investimento".
Comparação internacional
O FMI cita exemplos de países como Canadá, Reino Unido e Austrália, que adotam limites semelhantes. No Canadá, o teto é de 44% da renda bruta para hipotecas. No Brasil, o comprometimento médio das famílias com dívidas é de 47%, segundo dados do Banco Central de 2025. A implantação do teto poderia, em cinco anos, reduzir esse índice para 35%, segundo projeções do FMI.
Próximos passos
O relatório será discutido em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) no próximo mês. O FMI recomenda que a implementação seja gradual, com prazo de dois anos para adequação. A proposta ainda prevê exceções para crédito estudantil e financiamento habitacional de interesse social. Se aprovada, a nova regra deve entrar em vigor em 2028.



