EUA pressionaram por abertura total de setores industriais do Brasil
EUA queriam abertura total de setores industriais do Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos pressionaram por uma abertura total dos setores químico, automotivo e de bens industriais do Brasil durante as negociações comerciais bilaterais. A declaração foi dada durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Pressão americana por abertura de mercados

Segundo Guedes, a proposta americana era de que o Brasil eliminasse integralmente as tarifas de importação para produtos químicos, automotivos e de bens industriais. O ministro destacou que a posição brasileira foi de recusa, buscando um acordo mais equilibrado. "Eles queriam abertura total do setor químico, automotivo e de bens industriais. Nós dissemos que não, que precisávamos de um acordo que levasse em conta as assimetrias e os interesses nacionais", afirmou.

O ministro não detalhou em que contexto as negociações ocorreram, mas mencionou que as conversas com os EUA têm sido intensas nos últimos meses. O governo brasileiro tem buscado ampliar acordos comerciais com parceiros estratégicos, mas enfrenta resistência interna de setores industriais que temem a concorrência estrangeira.

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Impactos nos setores químico e automotivo

O setor químico brasileiro é um dos mais protegidos, com tarifas de importação que chegam a 35% para alguns produtos. Uma abertura total poderia reduzir drasticamente a competitividade da indústria nacional, que já enfrenta custos elevados de energia e matérias-primas. Já o setor automotivo, que emprega mais de 1,2 milhão de trabalhadores, também seria fortemente impactado. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já se manifestou contra qualquer redução abrupta de tarifas.

Especialistas apontam que uma abertura sem contrapartidas poderia levar ao fechamento de fábricas e ao aumento do desemprego. "O Brasil não pode abrir mão de sua indústria sem garantir acesso a mercados para seus produtos. Uma negociação equilibrada é essencial", disse o economista José Roberto Mendonça de Barros, em entrevista à GloboNews.

Negociações em andamento

O ministro Guedes afirmou que as negociações com os EUA continuam, mas que o Brasil não cederá a pressões. "Estamos construindo uma relação comercial que beneficie ambos os países. Não vamos aceitar imposições que prejudiquem nossa indústria e nossos trabalhadores", completou.

O governo brasileiro também negocia com a União Europeia e com países asiáticos, mas as conversas com os EUA são consideradas prioritárias. A balança comercial bilateral é favorável ao Brasil, com superávit de US$ 30 bilhões em 2025. No entanto, os EUA têm demandado maior abertura do mercado brasileiro em setores como tecnologia, serviços e manufatura.

Reações do setor produtivo

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu nota apoiando a posição do governo. "A indústria brasileira precisa de competitividade, mas não pode ser sacrificada em acordos assimétricos. Defendemos negociações que respeitem as diferenças de desenvolvimento entre os países", disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) alertou para os riscos de uma abertura precipitada. "O setor químico e automotivo são estratégicos para o país. Precisamos de políticas que fortaleçam nossa indústria, não que a exponham a uma concorrência desleal", afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

As negociações devem se intensificar nos próximos meses, com a visita de uma comitiva americana a Brasília prevista para setembro. O governo brasileiro espera fechar um acordo parcial ainda em 2026, mas a abertura total dos setores industriais parece estar descartada.

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