As encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos registraram alta de 0,3% em junho, abaixo do esperado pelo mercado, que previa crescimento de 0,5%. O dado, divulgado pelo Departamento de Comércio, indica uma moderação no ritmo de investimentos das empresas e no consumo de itens de alto valor.
Detalhes do relatório
Excluindo o setor de transportes, que costuma apresentar volatilidade, as encomendas ficaram estáveis, contra expectativa de alta de 0,1%. O segmento de aeronaves comerciais registrou queda significativa, enquanto a demanda por máquinas e equipamentos industriais mostrou leve recuperação.
Os pedidos de bens de capital não relacionados à defesa, excluindo aeronaves — considerados um indicador de investimentos empresariais —, caíram 0,2% em junho, revertendo o avanço de 0,3% no mês anterior.
Impacto na economia
O resultado reforça a percepção de que a economia americana perde força no segundo semestre, diante de juros elevados e incertezas sobre a demanda global. Economistas avaliam que o Federal Reserve pode considerar um ritmo mais lento de aperto monetário nas próximas reuniões.
Segundo Michael Feroli, economista-chefe do JPMorgan Chase, o resultado reflete a resiliência do consumidor, mas com sinais de moderação. "As empresas estão mais cautelosas com novos investimentos, o que pode impactar o crescimento do PIB no terceiro trimestre", afirmou.
Reação dos mercados
Os dados influenciaram os futuros dos índices acionários, que operam próximos da estabilidade, enquanto o dólar perdeu força ante as principais moedas. A taxa do Tesouro de 10 anos recuou ligeiramente, indicando menor pressão inflacionária.
Analistas destacam que, apesar da desaceleração, o mercado de trabalho ainda aquecido e a confiança do consumidor em níveis elevados devem evitar uma contração mais forte. No entanto, o setor manufatureiro continua sob pressão, com índices de atividade abaixo de 50 pontos.



