A economia da experiência está redefinindo os padrões de consumo no Brasil, com uma parcela crescente da população priorizando gastos com vivências em detrimento da aquisição de bens materiais. De acordo com um estudo recente realizado pela consultoria Dino, 78% dos brasileiros afirmam preferir investir em experiências, como viagens, eventos culturais e refeições em restaurantes, a comprar produtos físicos. Esse fenômeno reflete uma mudança profunda nos valores do consumidor, que busca cada vez mais memórias e conexões emocionais.
O que é a economia da experiência?
A economia da experiência é um conceito econômico que descreve a transição de uma economia baseada em bens e serviços para uma focada em experiências memoráveis. Diferentemente de produtos tangíveis, experiências são intangíveis, mas geram valor duradouro por meio de emoções e recordações. No Brasil, esse movimento ganhou força nos últimos anos, impulsionado por fatores como o aumento do acesso a serviços digitais e a busca por qualidade de vida.
Segundo João Silva, economista e coordenador do estudo da Dino, "a economia da experiência não é apenas uma tendência passageira, mas uma transformação estrutural nos hábitos de consumo. As pessoas estão dispostas a pagar mais por momentos únicos, como um jantar em um restaurante estrelado ou uma viagem personalizada, em vez de acumular objetos".
Impacto nos setores econômicos
O turismo é um dos setores mais beneficiados por essa mudança. Dados do Ministério do Turismo indicam que o número de viagens domésticas cresceu 15% em 2025, com destaque para destinos que oferecem experiências autênticas, como ecoturismo e turismo cultural. A gastronomia também vive um boom: restaurantes que oferecem menus degustação ou experiências interativas, como aulas de culinária, registraram aumento de 25% no faturamento no último ano.
No setor de eventos, a procura por ingressos para shows, festivais e exposições cresceu 20%, segundo a Associação Brasileira de Promotores de Eventos. "As pessoas querem viver algo que possam compartilhar nas redes sociais e lembrar para sempre", explica Silva.
Mudança no varejo e no consumo digital
O varejo tradicional também sente os efeitos. Lojas físicas estão se reinventando para oferecer experiências, como espaços de convivência, workshops e eventos ao vivo. Marcas de luxo, por exemplo, investem em showrooms imersivos onde o cliente pode testar produtos em ambientes temáticos. No comércio eletrônico, a personalização e a curadoria se tornaram diferenciais competitivos.
O estudo revela que 65% dos consumidores brasileiros estão dispostos a pagar mais por uma experiência de compra personalizada. Isso inclui desde recomendações baseadas em inteligência artificial até embalagens especiais e serviços de pós-venda que criam um vínculo emocional com a marca.
Desafios e oportunidades
Apesar do otimismo, a economia da experiência impõe desafios. A inflação e a renda disponível ainda limitam o poder de compra de grande parte da população. "Nem todos podem arcar com o custo de experiências premium, mas o mercado está se adaptando com opções acessíveis, como experiências locais e pacotes de microeventos", aponta Silva.
Para as empresas, a chave é entender que o valor não está mais no produto em si, mas na história e na emoção que ele proporciona. "Quem conseguir criar momentos inesquecíveis para o cliente terá uma vantagem competitiva duradoura", conclui o economista.



