Déficit em conta corrente do Brasil atinge US$ 23,30 bilhões em junho
Déficit em conta corrente atinge US$ 23,30 bi em junho

O Brasil registrou déficit em conta corrente de US$ 23,30 bilhões em junho de 2026, informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira. O resultado é o pior para o mês desde o início da série histórica, em 1995, e supera o déficit de US$ 18,45 bilhões registrado no mesmo mês do ano anterior.

Detalhamento do resultado

O déficit foi impulsionado pelo aumento do déficit de serviços e de rendas. O saldo de serviços ficou negativo em US$ 9,80 bilhões, ante US$ 7,50 bilhões em junho de 2025. Já o déficit de rendas (juros, lucros e dividendos) subiu de US$ 15,20 bilhões para US$ 18,40 bilhões no período. Por outro lado, o superávit comercial foi de US$ 5,10 bilhões, abaixo dos US$ 6,20 bilhões registrados um ano antes.

Acumulado do ano

No acumulado de janeiro a junho, o déficit em conta corrente totalizou US$ 89,70 bilhões, equivalente a 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Em igual período de 2025, o déficit havia sido de US$ 72,30 bilhões (1,5% do PIB). O aumento reflete a piora das contas externas em um cenário de desaceleração global e aumento das remessas de lucros.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Investimentos estrangeiros

Os investimentos estrangeiros diretos (IED) somaram US$ 6,50 bilhões em junho, suficientes para cobrir 27,9% do déficit corrente. No semestre, o IED atingiu US$ 45,20 bilhões, valor inferior ao déficit acumulado de US$ 89,70 bilhões. Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, “a trajetória do déficit corrente requer atenção, mas o financiamento via IED ainda é robusto, embora em declínio”.

Perspectivas

O BC projeta déficit de US$ 180 bilhões para 2026, ante US$ 150 bilhões em 2025. A piora é atribuída ao aumento do déficit de serviços e rendas, parcialmente compensado pelo superávit comercial. A conta financeira registrou ingresso líquido de US$ 10,20 bilhões em junho, com destaque para investimentos em carteira e derivativos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar