Controle chinês de minerais críticos acirra nacionalismo de recursos
Controle chinês de minerais críticos acirra nacionalismo

China domina cadeia global de minerais críticos

A China consolidou seu controle sobre a cadeia global de suprimentos de minerais críticos, como terras raras, lítio e cobalto, essenciais para tecnologias de energia limpa, eletrônicos e defesa. Esse domínio, que abrange desde a extração até o refino, tem gerado preocupações em governos ocidentais e emergentes, que veem sua dependência como uma vulnerabilidade estratégica. De acordo com o relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia (AIE), a China responde por mais de 60% da produção global de terras raras e cerca de 70% do refino de lítio e cobalto.

Nacionalismo de recursos se intensifica como resposta

Em reação, diversos países estão adotando medidas de nacionalismo de recursos, incluindo subsídios, restrições à exportação e parcerias para desenvolver cadeias domésticas. Os Estados Unidos, por exemplo, aprovaram o Inflation Reduction Act, que oferece créditos fiscais para a produção local de baterias e minerais críticos. A União Europeia lançou o Critical Raw Materials Act, com metas de garantir 10% da extração e 40% do processamento de minerais críticos no bloco até 2030. "Precisamos evitar uma nova dependência, agora de minerais críticos, que possa ser usada como arma geopolítica", afirmou a comissária europeia de Energia, Kadri Simson, em entrevista coletiva.

Impactos no mercado e na geopolítica

Essa corrida por autonomia tem elevado os preços de minerais como lítio e terras raras, que subiram 40% e 25%, respectivamente, nos últimos 12 meses, segundo dados da Benchmark Mineral Intelligence. Além disso, países ricos em recursos, como Chile, Indonésia e Argentina, estão impondo restrições à exportação de matérias-primas para forçar a instalação de plantas de processamento em seus territórios. "O nacionalismo de recursos está remodelando o comércio global de minerais críticos, com implicações profundas para a transição energética e a segurança nacional", destacou Fatih Birol, diretor-executivo da AIE, em comunicado.

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Estratégias chinesas e riscos de fragmentação

A China, por sua vez, tem respondido com investimentos em mineração e processamento no exterior, especialmente na África e América Latina, além de restringir exportações de tecnologias de refino. Em 2023, Pequim proibiu a exportação de tecnologias de extração de terras raras e lítio, medida que, segundo analistas, visa manter sua vantagem competitiva. Essa dinâmica pode levar a uma fragmentação do mercado global, com blocos regionais competindo por acesso a recursos. "Se não houver coordenação internacional, corremos o risco de uma guerra comercial de minerais críticos, que atrasaria a descarbonização", alertou o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, em relatório recente.

Perspectivas e soluções colaborativas

Especialistas defendem que a solução passa por diversificar fontes de suprimento, investir em reciclagem e substituição de materiais, além de acordos multilaterais que evitem a escalada do nacionalismo. A AIE estima que a reciclagem poderia suprir até 30% da demanda por lítio e cobalto até 2040. Contudo, sem cooperação, a transição energética pode se tornar mais cara e lenta. O governo brasileiro, que possui grandes reservas de nióbio e grafita, estuda uma política nacional de minerais críticos, conforme informou o Ministério de Minas e Energia. "O Brasil tem potencial para ser um ator relevante, mas precisa de regras claras e investimentos", afirmou o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Alexandre Vidigal.

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