Premiê do Canadá diz que intensificará negociações comerciais com Trump
Canadá intensifica negociações comerciais com Trump

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta segunda-feira que o país intensificará as negociações comerciais com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a imposição de tarifas sobre o aço e o alumínio canadenses. A declaração foi feita em Ottawa, durante uma coletiva de imprensa, onde Carney destacou a importância de manter uma relação comercial estável entre os dois países.

Contexto das tarifas

No início de julho, Trump anunciou tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio canadenses, alegando questões de segurança nacional. O Canadá respondeu com tarifas retaliatórias sobre produtos americanos, como iogurte, bourbon e motocicletas, totalizando cerca de 12,6 bilhões de dólares canadenses (aproximadamente 9,6 bilhões de dólares americanos).

“Estamos comprometidos em encontrar uma solução mutuamente benéfica. As negociações serão intensificadas nas próximas semanas para resolver as diferenças comerciais”, disse Carney. Ele também ressaltou que o Canadá busca evitar uma escalada na guerra comercial, que poderia prejudicar as economias de ambos os países.

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Impacto econômico

O Canadá é o maior fornecedor de aço e alumínio para os Estados Unidos. Em 2018, o país exportou cerca de 5,5 milhões de toneladas de aço para o mercado americano. As tarifas impostas por Trump afetam diretamente a indústria canadense, que emprega milhares de trabalhadores. Segundo o governo canadense, a medida pode resultar em perdas de até 2 bilhões de dólares canadenses para o setor.

“Nossa prioridade é proteger os trabalhadores canadenses e garantir que nossas indústrias permaneçam competitivas”, afirmou Carney. Ele também mencionou que o Canadá está explorando novos mercados para diversificar suas exportações, incluindo acordos com a União Europeia e países asiáticos.

Reações políticas

A oposição no Parlamento canadense criticou a abordagem de Carney, argumentando que o governo deveria ser mais duro com Trump. “Precisamos mostrar força, não fraqueza, diante das ameaças comerciais dos EUA”, disse o líder do Partido Conservador, Pierre Poilievre. Em contraste, o governo de Carney defende que a diplomacia é o caminho mais eficaz para resolver o impasse.

As negociações devem incluir discussões sobre o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que substituiu o NAFTA em 2020. Carney indicou que o Canadá está disposto a revisar cláusulas do acordo para atender às preocupações americanas, desde que haja reciprocidade.

Perspectivas futuras

Especialistas em comércio internacional acreditam que as negociações podem se estender por vários meses. “Ambos os lados têm muito a perder. Uma guerra comercial prolongada afetaria cadeias de suprimentos e custos para consumidores”, analisou a economista Laura Dawson, do Canada Institute. Ela acrescentou que a pressão política sobre Trump também pode influenciar o resultado, especialmente em ano eleitoral nos EUA.

Carney concluiu a coletiva reafirmando o compromisso do Canadá com o livre comércio. “Continuaremos a defender nossos interesses, mas sempre com diálogo aberto. Acreditamos que uma solução negociada é possível e necessária.”

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