O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retornará à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a nova escalada tarifária imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida ocorre após a administração de Donald Trump ampliar as sobretaxas sobre parte das exportações do Brasil, que passaram a alcançar até 37,5% em alguns segmentos.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a equipe do governo concluiu que não será possível utilizar o processo aberto no ano passado contra a tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos. A avaliação é que a nova ofensiva americana possui fundamentos jurídicos distintos, exigindo a abertura de outro contencioso na OMC.
Nova ofensiva tarifária dos EUA
Embora o governo pretenda recorrer ao organismo internacional, a medida tem alcance prático reduzido. Desde 2019, o sistema de solução de controvérsias da OMC enfrenta um impasse institucional que impede a obrigatoriedade do cumprimento de suas decisões pelos países-membros.
Continua depois da publicidade Leia também Brasília já vê Lula como favorito, mas ainda não descartou Flávio, diz analista Segundo analista da XP, pesquisas esfriaram o entusiasmo com a candidatura de Flávio, mas partidos ainda apostam que ele chegará ao segundo turno Tarifas passaram a se acumular
A nova disputa surge após Washington anunciar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros com base em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Segundo o governo americano, o Brasil apresentaria falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado, o que geraria vantagens competitivas consideradas desleais. Baixe agora! Essa sobretaxa foi adicionada à tarifa de 25% já aplicada anteriormente por supostas práticas comerciais injustas relacionadas ao desmatamento e ao sistema de pagamentos instantâneos Pix.
Acúmulo de sobretaxas atinge setores
Na prática, parte das exportações brasileiras passou a ser atingida pelas duas medidas simultaneamente. De acordo com cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), 16,5% das vendas brasileiras destinadas ao mercado americano estão sujeitas à incidência acumulada das duas tarifas, elevando a alíquota total para 37,5%.
Entre os setores mais afetados estão os de máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções. Continua depois da publicidade Governo contesta
Governo brasileiro rejeita acusações
Logo após o anúncio da nova tarifa, o governo brasileiro rejeitou formalmente as conclusões da investigação conduzida pelos Estados Unidos.
Em nota, o Planalto afirmou que não concorda com a aplicação da Seção 301 ao caso brasileiro e contestou a alegação de que o país não combate adequadamente a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Continua depois da publicidade



