O Brasil enfrentará uma realidade econômica implacável após as eleições de 2026, independentemente de quem vencer, alerta o jornal Financial Times (FT) em editorial publicado nesta terça-feira (21). O texto destaca que o próximo presidente herdará um cenário de dívida pública elevada, crescimento baixo e pressão dos mercados financeiros, exigindo reformas estruturais profundas e impopulares.
Ajuste fiscal é inevitável
Segundo o FT, a dívida pública brasileira já ultrapassa 80% do PIB e continua crescendo, impulsionada por despesas obrigatórias e rigidez orçamentária. O jornal cita projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) que indicam que o país precisará de um ajuste fiscal de cerca de 3% do PIB nos próximos anos para estabilizar a dívida. "O próximo governo terá que tomar medidas dolorosas, como cortar gastos e aumentar impostos, para recuperar a credibilidade fiscal", afirma o editorial.
Pressão dos mercados e reformas
O FT lembra que os mercados financeiros já precificam um risco maior para o Brasil, com o dólar em alta e os juros futuros elevados. "A janela de oportunidade para reformas está se fechando rapidamente. Se o novo governo não agir com rapidez, o país pode enfrentar uma crise de confiança e fuga de capitais", alerta o texto. O jornal destaca que reformas previdenciária, tributária e administrativa são urgentes, mas politicamente difíceis após um período de polarização.
Impacto nas eleições
O editorial aponta que a situação econômica deve dominar o debate eleitoral. "Os candidatos terão que explicar como pretendem conciliar promessas de campanha com a dura realidade fiscal", escreve o FT. O jornal menciona que tanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, principais nomes nas pesquisas, enfrentam desafios de credibilidade na área econômica.
Comparações internacionais
O FT compara o Brasil a outros países emergentes que passaram por ajustes semelhantes, como Argentina e México. "O Brasil tem vantagens, como um setor agrícola forte e reservas internacionais confortáveis, mas precisa agir antes que a situação se deteriore ainda mais", conclui o editorial. O jornal pede que o próximo presidente tenha "coragem política" para implementar as reformas necessárias, mesmo que impopulares no curto prazo.



