Brasil e Coreia do Sul aceleram negociações para acordo comercial via Mercosul
Brasil e Coreia do Sul aceleram negociações via Mercosul

Em meio aos efeitos da nova ofensiva tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, Brasil e Coreia do Sul concordaram em acelerar negociações para viabilizar um acordo comercial através do Mercosul. O tema foi discutido na recente reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega sul-coreano Lee Jae Myung, em Brasília. Além disso, outra possibilidade de parceria, entre o Mercosul e a China, voltou a ganhar visibilidade após telefonema de Lula ao presidente chinês, Xi Jinping. Avançam ainda negociações com o Canadá, outro país fortemente punido por Trump.

Acordo com Coreia do Sul: grupo de trabalho e visita técnica

O Brasil anunciou a criação de um grupo de trabalho com os sul-coreanos para viabilizar um acordo com o Mercosul. Também foi informado que uma missão técnica da Coreia do Sul visitará frigoríficos brasileiros já no próximo mês, para avaliar as condições sanitárias. O entendimento pode elevar as exportações de proteína animal do Brasil para a Coreia do Sul, abrindo novas oportunidades para o agronegócio brasileiro.

Minerais críticos: nova fronteira de cooperação

Os dois países assinaram ainda um memorando de entendimento para ampliar a cooperação na área de mineração. O Brasil, detentor da segunda maior reserva de minerais críticos do planeta, atrás somente da China, atrai a cobiça de fabricantes globais de carros elétricos e equipamentos tecnológicos, altamente dependentes desses recursos. Quanto mais interessados em seus minerais críticos o Brasil cativar, melhor será sua posição para firmar acordos de fornecimento, indo além da simples transferência de riqueza para um comprador externo.

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China e Mercosul: efeito colateral das tarifas americanas

A sinalização de que há disposição tanto do Brasil quanto da China para um acordo comercial via Mercosul é mais um efeito colateral das tarifas dos EUA. Ao castigar o Brasil de maneira particularmente dura, o presidente Trump inadvertidamente empurrou o Brasil cada vez mais em direção à China. Essa consequência pode levar o governo americano a ampliar a lista de isenções de produtos brasileiros taxados. Buscar mais mercados é a saída óbvia para contornar a pressão dos EUA, mas isso não significa que o Brasil, se for bem-sucedido, possa se dar ao luxo de não lutar para voltar ao mercado americano – especialmente porque a pauta de exportação brasileira para os EUA é mais sofisticada que para outros parceiros.

Por outro lado, uma negociação entre o Mercosul e a China também joga luz sobre o que importa na “crise política sem precedentes” entre Brasil e Argentina. Por mais que o presidente argentino, Javier Milei, maldiga o Mercosul, ele segue no bloco. E como bloco, o Mercosul tem mais possibilidades de negociar um acordo vantajoso com a China do que a Argentina teria negociando sozinha. Conhecido como “louco”, Milei tem sido bastante racional na relação com os chineses, a despeito de seu alinhamento ideológico total com os EUA de Trump.

Necessidade de abertura da economia brasileira

Ao Brasil, porém, não basta apenas buscar novos parceiros porque Trump retomou sua cruzada protecionista. A conquista de novos mercados é um imperativo, que deve sempre nortear a política externa e econômica brasileira. E a atração de novos parceiros passa pela abertura da nossa economia, conhecida como uma das mais fechadas do mundo. Enquanto a média global de corrente comercial – soma de exportações e importações – é de 56,6% do PIB, a brasileira é de apenas 35,5% do PIB, segundo dados do Banco Mundial. Mais do que atrair parceiros, é preciso saber mantê-los. Hoje, mesmo países que já têm relações de longa data com o Brasil encontram dificuldade para navegar as enormes barreiras protecionistas que por aqui vigoram. Está mais do que na hora de o Brasil se abrir ao mundo.

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