O Brasil caiu para a 134ª posição entre 176 países no Índice de Liberdade Econômica de 2026, divulgado pela Heritage Foundation. Esta é a pior nota do país em anos, e o coloca como 28º entre os 32 países das Américas. O índice mede o grau de liberdade econômica com base em fatores como liberdade empresarial, comercial, fiscal e monetária.
Desempenho do Brasil e comparação regional
O índice de 2026 revela um retrocesso significativo. Enquanto o Brasil estaciona nas últimas posições, a Argentina, que historicamente ocupava posições similares, tornou-se o país que mais avançou no ranking neste ano. A Argentina subiu várias posições após reformas liberalizantes, enquanto o Brasil permanece com uma economia altamente regulada e fechada.
O gasto público brasileiro equivale a quase metade do PIB, o déficit permanece elevado e a dívida pública se aproxima de 80% do PIB. Esses números indicam um desequilíbrio fiscal que sufoca a iniciativa privada e desestimula investimentos.
Barreiras burocráticas e custo de fazer negócios
Abrir uma empresa no Brasil continua sendo um processo desgastante, exigindo múltiplas licenças, certidões e alvarás, além de interpretações contraditórias de órgãos reguladores. Isso desestimula o empreendedorismo e a inovação. O país mantém uma tarifa média de 5,8% e mais de 600 barreiras não tarifárias, resultando em uma corrente de comércio que representa apenas cerca de 30% do PIB — um dos níveis mais baixos entre as economias ocidentais.
Crédito dominado por bancos públicos
No setor de crédito, mais da metade do financiamento ao setor privado passa pelos bancos públicos, distorcendo a alocação de recursos e criando desigualdades. A liberdade de investimento e a liberdade financeira do Brasil estão estacionadas em apenas 40 pontos (em uma escala de 0 a 100), segundo o índice. Isso significa que o estado ainda decide em grande parte quem recebe financiamento e em que condições.
O que o índice mede e por que é relevante
O Índice de Liberdade Econômica não é apenas um ranking; é um termômetro do ambiente de negócios e da confiança dos investidores. Países com maior liberdade econômica tendem a crescer mais, inovar mais e oferecer maior qualidade de vida. O Brasil, ao cair para a 134ª posição, sinaliza que continua preso a um modelo de intervencionismo estatal que trava o desenvolvimento.
O caminho para reverter essa situação é conhecido: abrir a economia, reduzir barreiras comerciais, simplificar regulações, fortalecer a concorrência e dar mais espaço ao setor privado. Não se trata de uma aventura liberal, mas do manual seguido pelas economias mais prósperas do mundo.
Conclusão: a necessidade de coragem para mudar
O Brasil possui todos os ingredientes para ser uma potência econômica: território, população, recursos naturais e capacidade de inovação. No entanto, falta a coragem de abandonar o modelo protecionista que, na prática, isola o país e impede seu crescimento. A 134ª posição não é um destino, mas o reflexo de escolhas que podem ser revistas. Como na metáfora do carro de corrida, o Brasil precisa soltar o freio de mão e acelerar em direção a uma economia mais livre e próspera.



